Nascimento inédito de cavalos geneticamente modificados marca um avanço na biotecnologia.

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No mês passado, cinco potrinhos nasceram na Argentina. Propriedade da empresa Kheiron Biotech, os animais são um marco histórico na genética equina: foram os primeiros modificados geneticamente. Segundo os criadores, a tecnologia poderá ser utilizada para melhorar a saúde e prevenir condições genéticas indesejadas nos cavalos, assim como incorporar características desejáveis para animais de corrida.

A empresa, que é comandada por médicos e cientistas argentinos, já havia feito importantes progressos nesse sentido nos últimos anos. Em 2013, a empresa foi a primeira a clonar um pônei utilizado para polo – o esporte em que quatro jogadores, montados a cavalo, tentam marcar gols com uma pequena bola e um longo taco.

Polo é um dos jogos esportivos coletivos mais antigos do mundo, tendo surgido por volta do século 6 a.C na região do Irã.

Desde então, a empresa se tornou especialista na clonagem equina. Segundo a revista Science, mais de 400 clones de cavalos já foram produzidos.

Em um artigo de 2020, os cientistas da empresa descrevem que a técnica de clonagem “pode ser ainda mais poderosa quando combinada com a edição de genes”, permitindo obter cavalos que tenham “o histórico genético do indivíduo original e novas características desejadas”. Na forma tradicional de cruzamento e seleção de traços de raça, isso poderia levar muitas gerações, contando com uma boa dose de acaso. Com a edição genética, tudo ocorre “em uma geração e de forma não aleatória.”

Foi isso que eles passaram a última década tentando fazer: modificar pequenos fragmentos do genoma dos cavalos para selecionar traços desejáveis. No ano passado, os autores publicaram outra descoberta inédita na revista PLOS: conseguiram, pela primeira vez, fazer um clone equino do sexo feminino a partir de um indivíduo do sexo masculino.

Agora, os animais geneticamente modificados foram clonados a partir de uma égua campeã chamada Polo Pureza. “A expectativa é que, nesse grande primeiro passo de inovação, o Polo Pureza adquira características de velocista ou explosão que não tinha e, ao mesmo tempo, mantenha suas outras qualidades”, disse Alberto Pedro Heguy, dono da égua e campeão nacional de polo, em um comunicado.

O novo animal não é considerado um Organismo Geneticamente Modificado (OGM), pois não foi utilizado material genético de outra espécie. Segundo o site da empresa, os animais são “idênticos a um que poderia ser obtido naturalmente por meio de cruzamento convencional.”

“Essa conquista coloca a Argentina na vanguarda global do que poderia ser considerado no futuro um caminho inovador e desafiador de progresso genético de precisão, acelerando a obtenção de melhorias genéticas que hoje são buscadas por mecanismos de tentativa e erro”, acrescenta Daniel Sammartino, presidente da Kheiron, no mesmo comunicado.

A edição utiliza a tecnologia CRISPR/Cas9, que rendeu o Nobel de Química em 2020 às cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna. A técnica foi criada em 2011 e criou espécies de “tesouras”, que conseguem identificar e recortar uma parte específica do DNA. Essa tecnologia permite alterar precisamente trechos do genoma de qualquer ser vivo.

Ela já é amplamente utilizada na engenharia genética de plantas, animais e micro-organismos. O CRISPR/Cas9 provocou uma verdadeira revolução nos estudos de engenharia genética. Seus usos incluem pesquisas que buscam a cura para doenças hereditárias, embora seu uso em humanos ainda seja polêmico, acendendo debates sobre ética e eugenia.

A Revolução Genética nos Cavalos: O que Esperar do Futuro?

O recente avanço na modificação genética dos cavalos levanta uma série de questões e possibilidades emocionantes para o futuro. À medida que a tecnologia se desenvolve, abre-se um leque de oportunidades não apenas para a indústria equina, mas também para outros setores que dependem da genética de animais. Como os cientistas já demonstraram, a edição genética pode acelerar o progresso que antes levaria muitas gerações por meio de métodos tradicionais.

Além de melhorar a qualidade genética dos cavalos de competição, essas tecnologias podem ser aplicadas em projetos de conservação de raças ameaçadas de extinção. Por exemplo, a restauração de características perdidas em linhagens raras é uma das possibilidades que podem ser exploradas. Com isso, poderia haver uma redução significativa na perda de biodiversidade, o que é um aspecto crucial para o equilíbrio ecológico.

Os criadores de gado, por exemplo, poderão aplicar estas técnicas para melhorar a resistência a doenças, entre outras qualidades desejáveis. O impacto em diversas áreas da agricultura e pecuária pode ser imenso, alterando não apenas a forma como criamos animais, mas também como lidamos com questões de saúde animal e produtividade.

Ética e Debate Público

Recentemente, a manipulação genética tem sido um tema polêmico, provocando debates sobre ética e segurança. Um dos pontos centrais é a preocupação com o que isso significa para a natureza e a evolução. A manipulação do código genético pode gerar efeitos colaterais indesejados, e muitos defendem que deve haver uma regulamentação rigorosa sobre como essas tecnologias são aplicadas.

As preocupações éticas se estendem à saúde e bem-estar dos animais. O uso de tecnologias como o CRISPR/Cas9 deve ser acompanhado por pesquisa exaustiva sobre as repercussões a longo prazo. A transparência na pesquisa e o envolvimento do público nas discussões são fundamentais para garantir que a ciência avance de maneira responsável.

Além disso, a modificação genética pode trazer desigualdades nas práticas agrícolas. Apenas aqueles com acesso a essas tecnologias poderão beneficiá-las, aumentando a disparidade entre grandes e pequenos produtores.

Conclusão da Discussão sobre Melhorias Genéticas

Ao olharmos para a trajetória percorrida pela Kheiron e os avanços que ela traz, fica evidente que estamos apenas no começo de uma nova era da genética. A capacidade de modificar características desejáveis em animais, seja para competições, seja para conservação de espécies, é uma maravilha da ciência moderna. Entretanto, as questões éticas e os impactos dessa tecnologia na sociedade e no meio ambiente não podem ser ignorados.

FAQ: Perguntas Frequentes sobre Modificação Genética em Cavalos

  • O que é modificação genética? É a alteração do material genético de um organismo para introduzir características específicas.
  • O que é a tecnologia CRISPR/Cas9? CRISPR/Cas9 é uma ferramenta de edição genética que permite cortar e modificar o DNA de forma precisa.
  • Os potrinhos nascidos na Argentina são considerados OGM? Não, pois foram criados sem o uso de material genético de outras espécies.
  • Qual o objetivo da modificação genética em cavalos? Melhorar características como saúde, desempenho e resistência a doenças.
  • Quais são os riscos da modificação genética? Possíveis efeitos colaterais indesejados e preocupações éticas sobre o bem-estar animal.
  • Como a comunidade científica vê esses avanços? Muitos consideram uma oportunidade, mas ressaltam a necessidade de regulamentação e ética nas práticas.
  • Há aplicações da edição genética além dos cavalos? Sim, é utilizada em várias áreas, incluindo agricultura, medicina e conservação ambiental.
  • Quem são os líderes no desenvolvimento dessas tecnologias? Empresas como Kheiron Biotech e várias instituições de pesquisa ao redor do mundo estão na vanguarda.

O Futuro da Genética Animal

Os avanços na modificação genética, como os recentes potrinhos da Kheiron Biotech, poderão revolucionar a forma como pensamos sobre a criação e conservação de animais. A intersecção entre ciência, ética e tecnologia levará a debates importantes sobre o futuro dessa prática.

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