TSE identifica cinco falhas na urna eletrônica, mas garante que não impactam o resultado das eleições

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O uso de urnas eletrônicas no Brasil tem sido alvo de intensos debates, especialmente à medida que as eleições se aproximam. No último teste realizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conhecido como Teste Público de Segurança (TPS), especialistas da área de tecnologia receberam a oportunidade de tentar identificar falhas no sistema. Este evento, importante para garantir a confiabilidade do processo eleitoral, trouxe à tona questões pertinentes sobre a segurança das urnas e o processo eleitoral brasileiro em geral.

Na coletiva realizada no dia 29, o TSE revelou que cinco falhas foram encontradas durante o TPS. Embora a presença dessas falhas possa gerar preocupações, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, garantiu que nenhuma delas possui potencial para alterar o resultado das eleições. Essa afirmação é essencial para manter a confiança pública no sistema eleitoral do Brasil.

Nenhum ataque do TPS atingiu software da urna eletrônica

O TPS deste ano envolveu a participação de 26 pesquisadores de várias partes do Brasil, que submeteram a urna eletrônica a 29 planos de ataque. Dessas tentativas, 24 não conseguiram ultrapassar as barreiras de segurança. Esta edição do TPS foi a maior da história, destacando a seriedade e o comprometimento dos especialistas com a segurança eleitoral.

Os cinco planos que tiveram sucesso em detectar falhas, segundo Barroso, foram considerados “achados”, ou seja, pontos que podem ser aprimorados pelo TSE. Ele tranquilizou a população ao afirmar que nenhum desses achados tem a gravidade necessária para impactar o resultado das eleições. “Grave é considerado qualquer coisa que tenha a potencialidade de afetar o resultado da eleição”, explicou Barroso.

O presidente do TSE também abordou a questão do software da urna eletrônica, que, segundo ele, não foi comprometido em nenhum dos ataques realizados. Além disso, mesmo os dispositivos que fazem a comunicação do TSE com as urnas se mostraram robustos, uma vez que não houve invasões que ameaçassem a integridade dos dados.

Falhas reúnem painel 3D falso e fone da urna eletrônica

Entre as falhas identificadas, uma delas foi atribuída a um grupo de estudantes que reproduziu um painel dianteiro da urna eletrônica utilizando uma impressora 3D. Esse dispositivo, se acoplado à urna, poderia captar os votos de forma clandestina, comprometendo o sigilo do voto. Barroso destacou que tal ação exigiria uma certa destreza e, portanto, seria “bastante improvável” de acontecer em um ambiente eleitoral.

Outra falha observada foi no desembaralhamento do boletim de urna, um documento que apresenta o total de votos. Os dados são normalmente enviados ao TSE de forma embaralhada, mas o ataque conseguido consistiu em quebrar essa ordem. Entretanto, o procedimento não é considerado grave, já que o boletim é impresso e apresentado em público às 17h no dia da eleição.

Um terceiro achado envolveu a tentativa de burlar uma barreira de segurança que protege a rede de transmissão de dados, onde os hackers conseguiram alcançar a rede do TSE. Contudo, foram interrompidos antes que pudessem acessar informações sensíveis.

Uma quarta falha foi relacionada ao fone de ouvido da urna eletrônica, que é utilizado para auxiliar pessoas com deficiência visual. Nesse caso, um dispositivo Bluetooth poderia ser instalado para escutar o voto em tempo real. Novamente, Barroso sublinhou a improbabilidade de tal manobra, que exigiria a instalação do equipamento de forma discreta.

Peritos da PF invadem rede do TSE, mas não alteram dados

A letiva de segurança culminou em uma quinta falha, que se mostrou a mais preocupante. Peritos da Polícia Federal foram capazes de invadir a rede do TSE, embora isso não resultasse em alteração de votos ou modificações em configurações de segurança. A aparente fragilidade nesse ponto foi discutida em profundidade, dado que a segurança é um pilar fundamental do sistema eleitoral brasileiro.

Apesar das falhas encontradas, Barroso enfatizou que a urna eletrônica não possui conexão com a internet durante o processo eleitoral, o que diminui o risco de interferência externa. E mesmo com as investidas contra o sistema eleitoral, como as declarações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro sobre supostas fraudes nas eleições de 2018, a confiança no processo precisa ser mantida.

Para o TSE, o TPS tem como objetivo expor vulnerabilidades para que possam ser corrigidas a tempo. Seguindo a lógica desse compromisso com a segurança, o próximo passo será a realização do Teste de Confirmação, onde os especialistas que descobriram falhas retornarão para verificar se as medidas corretivas foram implementadas com sucesso.

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