Taxa de Reciclagem de Lixo Eletrônico no Brasil é Apenas 3%, Revela Estudo

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O Brasil, atualmente, ocupa a alarmante posição de quinto maior produtor de lixo eletrônico no mundo. No entanto, é também um dos países que menos recicla esse tipo de resíduo. De acordo com uma pesquisa da Green Eletron, uma empresa focada em logística reversa, o Brasil ainda carece de informações sobre o descarte ecológico desses aparelhos e sobre os locais adequados para esse tipo de descarte, que frequentemente não são acessíveis à maioria da população.

Segundo o estudo “Resíduos eletrônicos no Brasil – 2021”, apenas 3% do lixo eletrônico gerado no país é reciclado. A pesquisa revela dados preocupantes: cerca de 87% da população mantém eletroeletrônicos sem uso em suas casas por mais de dois meses. Além disso, 25% dos brasileiros nunca destinaram esses resíduos de maneira adequada em pontos de coleta estabelecidos.

Essa situação não se deve apenas ao comportamento dos cidadãos. A pesquisa da Green Eletron indica que os Pontos de Entrega Voluntária (PEV) são amplamente desconhecidos pela população. Na prática, esses locais estão frequentemente distantes dos lares e, em algumas regiões, simplesmente não existem. A falta de informação se torna um dos principais obstáculos para o descarte correto.

Desinformação é a principal inimiga do descarte ecológico

Entre os entrevistados, 75% desconheciam que todos os eletrônicos podem ser reciclados quando levados a pontos de coleta. Ao invés disso, a maioria acumula esse tipo de resíduo. Pilhas e pequenos componentes eletrônicos são os mais comuns, com 72% mantendo-os junto a celulares antigos. Em seguida, vêm notebooks, telefones fixos, modens e tablets, retidos por 48% dos participantes da pesquisa.

O tempo de armazenamento desse lixo é, em média, elevado: 31% dos indivíduos informaram que guardam algum aparelho eletrônico inativo por mais de um ano. Entre esses aparelhos, destacam-se câmeras, gravadores, carregadores de celular e reprodutores de CDs e DVDs.

A acumulação de lixo eletrônico ocorre principalmente por falta de informação. Embora muitos saibam que o descarte de eletrônicos é diferente do descarte de resíduos comuns, um terço dos entrevistados afirmou nunca ter ouvido falar sobre os locais adequados para o descarte. O desconhecimento é ainda mais pronunciado entre a classe C, onde 41% não conhecem os pontos de coleta, em comparação com 24% na classe A e 26% na classe B. Contudo, a desinformação é apenas a primeira barreira a ser enfrentada.

Pontos de coleta de eletrônicos ainda são escassos

Entre os entrevistados que estavam cientes dos pontos de descarte e PEVs, somente 7% efetivamente deram um destino correto para seus resíduos. As razões para essa inatividade variam: 20% não sabem onde estão localizados, 21% alegam que ficam longe demais, enquanto outros 21% apontam a inexistência de locais de coleta na região onde residem.

Assim, 25% das pessoas participantes da pesquisa nunca descartaram corretamente um eletrônico. Mesmo entre os 75% que já levaram seus resíduos a pontos de coleta em algum momento, mais da metade informou que esses locais estão a mais de 15 minutos de carro de suas casas.

Esse panorama não apenas ressalta a necessidade urgente de mais informação sobre como descartar corretamente o lixo eletrônico, mas também enfatiza a importância de aumentar a acessibilidade dos pontos de coleta. Os órgãos responsáveis e a sociedade civil devem agir para melhorar essa situação, promovendo campanhas de conscientização e criando mais facilidades para o descarte sustentável.

Outro dado preocupante é que o Brasil, apesar de ser um dos maiores produtores de lixo eletrônico, ainda não possui legislações eficazes que garantam a responsabilidade do consumidor e dos fabricantes em relação ao descarte dos eletrônicos. Essa falta de regulamentação contribui para que muitos cidadãos não se sintam compelidos a buscar soluções para o descarte de seus resíduos.

Por fim, é imperativo que a sociedade como um todo, incluindo governos, empresas e a população, colabore para reverter esse quadro alarmante de lixo eletrônico no Brasil. A implementação de práticas de reciclagem eficientes e acessíveis é crucial para proteger o meio ambiente e promover um futuro mais sustentável para todos nós.

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