As startups de base científica e tecnológica, conhecidas como deeptechs, estão vivendo um momento de grande relevância no cenário de inovação brasileiro. Com a evolução dos ecossistemas de financiamento, elas agora podem contar com uma ampla gama de recursos para impulsionar seus projetos em diversas fases de desenvolvimento. Entretanto, para tirar proveito dessas oportunidades, é crucial que essas startups façam uma análise estratégica dos recursos disponíveis, identifiquem o momento certo para buscar financiamento e considerem seus níveis de maturidade e risco. Essas reflexões foram discutidas na mesa-redonda “Da ideia ao mercado: fontes de financiamento a projetos de inovação tecnológica no Estado de São Paulo”, organizada pela Fapesp e o Instituto do Legislativo Paulista (ILP).
O evento, que ocorreu no dia 10, foi parte da abertura da Expo PIPE-Fapesp – um espaço dedicado à inovação, empreendedorismo e impactos positivos gerados por 19 startups que recebem apoio do programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fapesp.
A exposição, que também inclui pôsteres e vídeos de outras 20 startups desenvolvidas para a série Ciência SP, da Agência Fapesp, estará em exibição até o dia 19 no Espaço V Centenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Flavio Levi Moreira, diretor de investimentos da Anjos do Brasil, destacou a transformação do ecossistema de investimentos nos últimos anos: “Se olharmos para o cenário há uma década, a captação de investimentos para startups era limitada e muitas vezes obrigava empreendedores a buscar alternativas fora do Brasil. Hoje, no entanto, temos um ciclo completo que permite que uma startup busque apoio desde uma agência de fomento, como a Fapesp, até grupos de investidores-anjo sem precisar sair do país.”
A estratégia de captação adequada varia conforme o estágio de desenvolvimento das deeptechs. De acordo com Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da Fapesp, as startups em fases iniciais devem buscar programas como o PIPE. À medida que vão crescendo, a diversificação das fontes de financiamento se torna necessária. “O PIPE é como um jardim de infância para startups que precisam crescer e, eventualmente, buscar instituições como a Desenvolve São Paulo ou o BNDES para financiamento mais robusto”, explicou Pacheco.
A Desenvolve São Paulo, ligada ao Governo do Estado, tem como missão financiar ideias que não apresentem as garantias convencionais exigidas pelo mercado de crédito. Ricardo Brito, diretor-presidente da instituição, comentou: “Nossa ideia é transformar conceitos em notas fiscais, focando na expectativa de receita das startups em vez de seu fluxo de caixa imediato.”
Uma vez que as startups começam a gerar receita e emitir notas fiscais, elas podem se preparar para participar de rodadas de investimento organizadas pela Anjos do Brasil. O grupo, que conta com 550 investidores, é um dos principais facilitadores na captação de recursos para empresas em estágio inicial.
Vale do Silício do agro
A SP Ventures, gestora do Fundo de Inovação Paulista, é um exemplo significativo de como os investimentos estão sendo direcionados para o setor agrícola, conhecido como o “vale do Silício do agro”. Com um histórico de investimentos de mais de R$ 150 milhões em startups no Estado de São Paulo, Francisco Jardim, sócio-fundador da empresa, afirmou que o agronegócio está em evolução com a intersecção de tecnologias inovadoras.
“Aqui, estamos trabalhando com biotecnologia, inteligência artificial e diferentes áreas para criar soluções no agro. Um exemplo é a agritech ‘InCeres’, que utiliza inteligência artificial para prever a fertilidade do solo e foi recentemente adquirida pela sueca Husqvarna”, destacou Jardim. Ele se mostrou otimista ao observar que várias startups que passaram pelo PIPE alcançaram sucesso em suas saídas, gerando valorização e capital significativo.
Novas formas de apoio
A Fapesp, através do PIPE, já destinou mais de R$ 1 bilhão para apoiar projetos de inovação nas deeptechs do estado, abrangendo mais de 160 municípios. Marcio de Castro, diretor científico da Fapesp, ressalta que o objetivo do programa é promover o desenvolvimento e competitividade das pequenas empresas, contribuindo para a geração de emprego e renda.
Para facilitar o acesso a outras fontes de financiamento, a Fapesp lançou várias iniciativas, como a participação em fundos de investimento e o cadastramento de redes de investidores-anjo. “Estamos empenhados em criar instrumentos que acompanhem o ciclo de vida das startups, oferecendo suporte financeiro que mantenha a inovação em alta”, declarou Pacheco.
Este panorama evidencia um ecossistema de inovação mais robusto e preparado para atender às demandas das startups, destacando a importância de cada etapa no processo de financiamento. O evento também contou com a participação de Agnes Sacilotto, diretora-presidente do ILP, e Leonardo Siqueira, vice-presidente da comissão de ciência, tecnologia e inovação da Alesp.
O fortalecimento do ecossistema de inovação é essencial para que as deeptechs possam não apenas sobreviver, mas prosperar em um mercado cada vez mais competitivo. O apoio adequado e estratégico pode fazer toda a diferença nesse cenário em constante evolução.

