Um artigo publicado na revista científica Entertainment Computing aponta um dado alarmante: a pirataria de jogos resulta na perda de 20% das receitas durante a semana do lançamento. Este estudo, que cobre jogos lançados de setembro de 2014 até o final de 2022, analisa o tempo que a proteção Denuvo demora para ser quebrada, estabelecendo um limite de 12 semanas, período em que as vendas começam a declinar. Essa metodologia leva em conta o fato de que crackear um jogo logo após seu lançamento pode causar um impacto significativo nas vendas.
Contudo, o artigo não considerou as receitas provenientes de DLCs (conteúdos adicionais) e itens colecionáveis, como skins. O autor da pesquisa, William Volckmann, reconheceu essa limitação, comentando em resposta ao Tecnoblog que a análise de DLCs exigiria uma investigação separada devido ao seu lançamento em períodos posteriores ao do jogo base.
“Eu acho que isso demandaria a sua própria análise separada, já que DLCs costumam ser lançadas fora da janela que eu analiso (três meses após o lançamento)”, afirmou Volckmann.
Queda de 20% na receita na primeira semana
Volckmann comparou as vendas de jogos que foram crackeados na primeira semana de lançamento com aqueles que mantiveram sua proteção. Os dados revelaram que a receita cai 20% quando um jogo é pirateado logo no início. Esse impacto varia nas semanas subsequentes; a queda nas vendas diminui conforme o tempo avança desde o lançamento. Por exemplo, um jogo pirateado na sexta semana pode ter uma perda de receita de apenas 5%. A maioria dos títulos analisados manteve sua proteção antipirataria por mais de 12 semanas.
Esses resultados estão alinhados com uma declaração de Robert Hernandez, vice-presidente da Denuvo, em 2017. Para ele, o foco da empresa é proteger os jogos nos primeiros dias após o lançamento, uma vez que a maior parte das vendas ocorre nesse período inicial de “hype”, embora existam casos de jogos que são crackeados logo no primeiro dia de lançamento.
Além disso, a dificuldade de crackear os jogos Denuvo também afeta as vendas de DLCs. Quando a proteção leva mais tempo para ser quebrada, o processo deve ser repetido para cada DLC subsequente. Isso pode levar o jogador que optou pela pirataria a considerar a compra do jogo a um valor reduzido, já que ele não terá acesso imediato a esses conteúdos adicionais.
Autor criou técnica para estimar vendas
Uma das limitações mais significativas do estudo é que as empresas de jogos raramente divulgam números de vendas por semana. Para contornar essa dificuldade, Volckmann desenvolveu sua própria técnica de estimativa, baseando-se no aumento do número de jogadores ativos, além de reviews. Ele próprio reconhece que essa técnica traz limitações para a precisão do estudo, mas ainda assim oferece insights valiosos sobre o impacto da pirataria nas vendas.
Por meio dessa análise, Volckmann pretende contribuir para a discussão sobre como a pirataria afeta a indústria de jogos, fornecendo dados que podem ser explorados por desenvolvedores e publicitários para melhorar suas estratégias de lançamento e proteção de produtos.
Os números provenientes desse estudo introduzem uma relevância não apenas econômica, mas também social. A percepção de que a pirataria prejudica a indústria de jogos pode influenciar a forma como os consumidores olham para a compra de jogos, DLCs e outros conteúdos digitais.
Considerando o contexto atual do mercado de jogos, que apresenta uma diversidade crescente de opções — desde lançamentos AAA até títulos independentes — a necessidade de proteção contra a pirataria se torna ainda mais evidente. É essencial que os desenvolvedores e publicitários estejam cientes dos desafios que a pirataria representa e permaneçam vigilantes quanto às suas estratégias de lançamento.

