A mortalidade materna é uma questão alarmante em várias partes do mundo, mas na Nigéria, ela atinge proporções devastadoras. Com uma mulher morrendo a cada sete minutos devido a complicações relacionadas ao parto, o país se destaca como o mais perigoso no mundo para dar à luz. Este cenário angustiante é resultado de uma combinação de fatores, que vai desde a falta de infraestrutura em saúde até a escassez de profissionais qualificados.
A situação é ainda mais crítica em regiões rurais, onde muitas mulheres têm acesso limitado a cuidados médicos. A própria Nafisa Salahu, aos 24 anos, enfrentou uma situação de risco extremo ao dar à luz durante uma greve de médicos. Sua história é uma das muitas que evidenciam a precariedade do sistema de saúde nigeriano e a gravidade das condições sob as quais muitas mulheres se veem obrigadas a dar à luz.
As estatísticas da UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas) revelam que a mortalidade materna na Nigéria representa 29% de todas as mortes maternas no planeta. Em 2023, a estimativa é que cerca de 75 mil mulheres morram anualmente devido a complicações durante o parto, o que equivale a um número alarmante de 993 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Esta realidade expõe um sistema de saúde que falha em oferecer a segurança e o cuidado que as gestantes merecem.
Fatores que Contribuem para a Alta Mortalidade Materna
Um dos principais fatores que contribui para a alta mortalidade materna é a insuficiência de estruturas adequadas para atendimento às mulheres grávidas. Muitas vezes, hospitais carecem de recursos básicos, como equipamentos essenciais e suprimentos médicos adequados. Segundo relatos, a escassez de sangue para transfusões é um problema recorrente em hospitais nigerianos. Um exemplo trágico é o caso de Chinenye Nweze, que faleceu devido a uma hemorragia pós-parto, pois a equipe médica não conseguiu disponibilizar sangue suficiente para salvar sua vida.
Além da falta de estrutura, a escassez de profissionais qualificados também é alarmante. Em 2021, havia aproximadamente 121 mil parteiras para uma população de 218 milhões de habitantes. Esse número abismal indica que menos da metade dos partos no país são realizados sob a supervisão de um profissional capacitado, e estima-se que a Nigéria precise de mais 700 mil enfermeiras e parteiras para atender às demandas de uma população crescente.
Outro fator crucial é a alta carga cultural e práticas locais que dificultam o acesso a cuidados médicos. Algumas mulheres, especialmente nas áreas rurais, acreditam que ir ao hospital pode ser uma perda de tempo e optam por métodos tradicionais que muitas vezes atrasam o tratamento necessário. Essa desconfiança nos serviços médicos é um obstáculo a mais na luta contra a mortalidade materna.
Experiências de Mulheres no Sistema de Saúde Nigeriano
A realidade enfrentada pelas nigerianas varia enormemente de acordo com sua localização e recursos financeiros. Enquanto algumas mulheres têm acesso a cuidados médicos de qualidade, como é o caso de Chinwendu Obiejesi, que consegue pagar por assistência médica particular, outras enfrentam as duras realidades do sistema público e seus desafios. Obiejesi, moradora de um subúrbio rico da capital nigeriana, se beneficia de melhores condições de saúde, o que a faz relatar uma diminuição significativa nas mortes maternas em seu círculo social.
Por outro lado, mulheres como Jamila Ishaq, que reside em áreas onde a infraestrutura de saúde é deficientemente desenvolvida, ainda enfrentam desafios significativos. Em seu relato, Jamila menciona uma experiência angustiante onde, após complicações no parto, não encontrou assistência médica disponível no hospital e teve que retornar para casa em busca de ajuda. Essa narrativa chocante ilustra a falta de confiança que muitas mulheres têm nos hospitais, acentuando a dificuldade de buscar atendimento quando necessário.
Soluções e Iniciativas em Andamento
Frente a essa crise, o governo nigeriano lançou a Iniciativa de Redução da Mortalidade Materna (Mamii), que visa identificar gestantes e oferecer acompanhamento adequado durante toda a gestação e após o parto. Com a participação de 172 governos locais, essa iniciativa representa uma tentativa significativa para reduzir a taxa alarmante de mortes relacionadas ao parto.
A proposta do programa é cadastrar mulheres grávidas, auxiliá-las em consultas de pré-natal e promover o acesso a hospitais competentes. Além disso, deve-se melhorar o transporte de gestantes até unidades de saúde, um ponto crítico que pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
Apesar das dificuldades, as tendências globais em saúde materna mostram que houve uma redução de 40% nas mortes maternas desde o ano 2000. Embora a Nigéria também tenha apresentado uma melhoria de 13% nesse período, os especialistas acreditam que é necessário um investimento mais robusto e estratégias eficazes de implementação para ver resultados mais expressivos.
Ainda não está claro se as mudanças propostas pelo Mamii terão um impacto imediato, mas as autoridades nigerianas estão esperançosas. Cada vida salvada traz consigo não apenas um futuro para a criança, mas também um alívio crucial para as famílias que enfrentam a dor da perda.
A Persistência da Tragédia
Com a estatística de 200 mortes maternas diárias no país, o pano de fundo da questão é profundamente trágico. Cada mulher que morre representa uma família devastada. As histórias de dor e luto, como a de Henry Edeh, que ainda não conseguiu superar a morte da irmã, só reforçam a urgência de ações eficazes e sustentáveis. “A dor é insuportável”, lamenta Edeh, mostrando como a mortalidade materna não afeta apenas as vítimas, mas sim toda a sociedade.
À medida que a Nigéria trabalha para resolver os problemas que afetam a saúde materna, é crucial que a atenção se mantenha nas vozes e nas experiências das mulheres, que são as mais impactadas por essa crise. A busca por um futuro onde nenhuma mulher precise temer pela sua vida ao dar à luz deve ser a prioridade de todos envolvidos na saúde pública e na defesa dos direitos femininos no país.
Perguntas Frequentes sobre Mortalidade Materna na Nigéria
- Qual é a taxa de mortalidade materna na Nigéria? A taxa de mortalidade materna na Nigéria é alarmante, com cerca de 993 mortes a cada 100 mil nascidos vivos.
- Quais são as principais causas de morte materna no país? As causas incluem hemorragia pós-parto, obstrução do parto e hipertensão.
- Quanto o governo nigeriano investe em saúde? O governo gasta apenas 5% do seu orçamento com a saúde, muito abaixo dos 15% comprometidos em tratados internacionais.
- Quanto apoio existencial existe para mulheres grávidas na Nigéria? O apoio varia muito; enquanto algumas mulheres têm acesso a cuidados de saúde adequados, a maioria enfrenta desafios significativos devido à falta de infraestrutura e recursos.
- O que é a Iniciativa de Redução da Mortalidade Materna? É um programa que visa identificar e apoiar mulheres grávidas para garantir que recebam a assistência necessária durante a gravidez e o parto.
- A Nigéria tem parteiras suficientes para atender a demanda? Não, o país precisa de mais de 700 mil enfermeiras e parteiras para atender adequadamente a população.
- Qual é a situação do transporte para as mulheres grávidas? Muitas enfrentam dificuldades para chegar a hospitais, tornando o acesso aos cuidados médicos um grande desafio.
- Quais são as expectativas para o futuro da saúde materna na Nigéria? Espera-se que as iniciativas implementadas melhorem a situação, mas investimentos contínuos e eficazes são cruciais para ver uma mudança significativa.
Um Panorama de Esperança e Desafios
A saúde materna na Nigéria é um retrato do que pode acontecer quando as deficiências no sistema de saúde não são abordadas. A necessidade de ação é urgente, e enquanto as iniciativas do governo começam a ser implementadas, o mundo observa cada movimento em direção a um futuro mais seguro para as mulheres e crianças nigerianas. Os relatos de coragem e resistência das mulheres nigerianas nos inspiram a continuar lutando por melhores condições de saúde e a dignidade que todas as mães merecem. Com determinação e investimento eficaz, é possível transformar essa realidade e evitar que mais vidas sejam perdidas.

