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Cenários
Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico lançou uma campanha publicitária para tentar evitar que informações sensíveis fossem divulgadas inadvertidamente. O famoso slogan “careless talk costs lives” lembra que “falar sem pensar custa vidas”. Um comentário aparentemente inofensivo sobre a movimentação de tropas poderia fornecer pistas valiosas para os inimigos, colocando em risco a segurança de muitos.
Hoje, esse conceito pode ser adaptado para uma nova realidade: “falar sem pensar custa dinheiro”. A diferença é que nesta narrativa, o personagem central é Donald Trump. O estilo de negociação do ex-presidente americano é bem conhecido, marcado por ameaças, recuos e blefes para desorientar seus oponentes e garantir vantagens. Em um ambiente onde a incerteza é constante e o risco de perder um acordo é alto, seus interlocutores muitas vezes se apressam para fechar um negócio.
O problema se intensifica quando o que está em jogo não é apenas uma propriedade em Nova York, mas acordos comerciais de grande escala entre os Estados Unidos e outros países, como a China. Desde que assumiu o cargo, Trump tem oscilações frequentes em suas declarações sobre tarifas, em algumas situações mudando sua posição mais de uma vez ao longo do mesmo dia.
Recentemente, na terça-feira (22), ele voltou atrás nas ameaças de demitir Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (FED), além de classificar as tarifas de 145% impostas sobre produtos chineses como insustentáveis, sugerindo que essas deveriam ser reduzidas.
Perspectivas
É possível confiar nas declarações de Trump? A resposta ainda é incerta. Ele se encontra em uma forte campanha para reformular o comércio mundial, visando aumentar a proteção para a economia americana. Essa estratégia, embora possa parecer defensável, tende a diminuir a prosperidade geral, contribuindo para uma queda no comércio global e, consequentemente, afetando negativamente os resultados de empresas.
Os números do primeiro trimestre de 2025 já começam a emergir e revelam o impacto da incerteza nas finanças corporativas. Contudo, os resultados de companhias importantes ainda estão por vir e devem iluminar, de forma mais clara, os efeitos advindos de uma elevação prolongada das taxas de juros nos EUA, das medidas do FED para desacelerar a economia e o novo risco representado pelas declarações imponderadas de Trump.
Indicadores
Confiança do consumidor FGV (Abr)
Observado: 84,8
Esperado: ND
Anterior: 84,3
Pedidos iniciais de seguro-desemprego
Esperado: 222 mil
Anterior: 215 mil
Venda de casas usadas (Mar)
Esperado: 4,14 milhões
Anterior: 4,26 milhões

