O Compromisso de Kristine Tompkins com a Sustentabilidade Ambiental

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Kristine Tompkins, ex-CEO da Patagonia, é uma figura proeminente na conservação dos ecossistemas da América do Sul. Sua trajetória é marcada pela proteção de mais de 5,7 milhões de hectares em regiões como Chile e Argentina. No entanto, seu trabalho vai além da simples preservação ambiental: Tompkins busca conectar a restauração ecológica com o bem-estar das comunidades locais.

“Criar parques e trazer espécies de volta é parte do trabalho; a outra parte é conectar isso ao futuro das comunidades”, afirmou em uma de suas entrevistas, onde destaca a importância de integrar a conservação com as necessidades das populações que habitam essas áreas.

Tompkins transformou sua bem-sucedida carreira no mundo empresarial em uma dedicação intensa à conservação ambiental. Sua mudança se deu não por uma crise ou desilusão, mas por uma busca mais significativa por conexão com a natureza. Nos anos 90, junto com seu marido, Douglas Tompkins, começou a adquirir vastas extensões de terra com o objetivo de restaurá-las e transformá-las em parques nacionais.

Desafios e Conquistas na Conservação

No início, a jornada de Tompkins não foi fácil. Enfrentou resistência e ceticismo de autoridades locais e da comunidade. “Ninguém realmente acreditava que esse sonho — de somar tudo o que fizemos e doar — era sincero”, relembra. No entanto, sua persistência e os impactos visíveis de seu trabalho ajudaram a mudar essa percepção. Até agora, a Tompkins Conservation já participou da criação ou expansão de 15 parques nacionais, incluindo o Parque Nacional Patagonia, no Chile, e o Parque Nacional Iberá, na Argentina.

Contudo, proteger o território demonstrou ser apenas uma parte da solução. “Era evidente que muitas espécies estavam extintas ou seus números eram baixíssimos”, explica Tompkins. Para reverter essa situação, decidiram não atuar em áreas sem primeiro entender quais espécies estavam ausentes, criando então a abordagem de “rewilding”. Isso envolve a reintrodução de espécies-chave para restaurar ecossistemas completos.

Um exemplo notável dessa abordagem foi a reintrodução da onça-pintada nos Esteros del Iberá, após mais de 70 anos sem registros da espécie. Atualmente, cerca de 40 indivíduos foram contabilizados na região, e esses animais estão expandindo seus territórios, chegando até o Brasil e o Paraguai. “E há vários que não estão registrados, porque são filhotes e não estamos colocando colares para monitorá-los”, afirma Tompkins.

Além da onça-pintada, a fundação já trabalha com 27 espécies na Argentina e no Chile, incluindo pumas, jaguatiricas e condores, todos essenciais para o equilíbrio ecológico. “Estamos começando a reconstruir como é um ecossistema que funciona bem após o trabalho de rewilding”, ressalta ela.

Um dos maiores desafios dessa estratégia é a conectividade das populações animais. Para sobreviver e prosperar, esses animais precisam se movimentar. “Estamos trabalhando para estabelecer conexões entre parques. Por exemplo, na Argentina, entre o Parque Nacional Iberá e o Parque Nacional El Impenetrable, no Chaco”, revela Tompkins. Além disso, estão avançando na aquisição de terras nas Yungas e em Misiones para criar corredores biológicos, que ela chama de “stepping stones”, permitindo o deslocamento seguro dos animais.

Entretanto, Tompkins é clara ao afirmar que nem tudo se resolve por meio da criação de parques nacionais. “É impossível fazer isso em todos os lugares. Por isso, tivemos que mudar a estratégia”, reconhece. Para Tompkins, a restauração ecológica deve estar intrinsicamente ligada às pessoas que habitam essas regiões. Desde o início de sua fundação, o enfoque foi trabalhar junto às comunidades locais. “Eles são os verdadeiros conhecedores do lugar. Suas famílias vivem ali há gerações, conhecem a fundo o território”, explica.

Por exemplo, em Iberá, dez comunidades ao redor dos esteros são diretamente beneficiadas pela reintrodução da onça-pintada e de outras espécies. “Elas são as áreas mais importantes de todas”, diz Tompkins. A presença de animais reintroduzidos se transforma em um símbolo de identidade e atrai turistas. O ecoturismo, quando bem gerido, pode abrir novas fontes de renda e fortalecer esse vínculo entre as comunidades e seu entorno.

“Se as comunidades não veem um benefício econômico positivo a longo prazo, estamos falhando nas bases da conservação sustentável. É impossível prescindir disso”, alerta. Para ela, é arriscado pensar que a conservação pode ser imposta de fora, sem envolver e fortalecer quem vive nesses territórios.

Estratégias Dinâmicas para o Futuro

Diante da urgência das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade, Tompkins reforça que as estratégias devem ser continuamente ajustadas. “Quando se tem muito sucesso, é necessário também adaptar a abordagem”, sugere. Hoje, a Tompkins Conservation, em parceria com organizações como Rewilding Argentina e Rewilding Chile, está mais focada do que nunca em promover conectividade e resiliência ecológica.

Os próximos anos prometem novas parcerias, conquistas territoriais e aprendizagens valiosas. No entanto, a missão central de Tompkins permanece inalterada: “Devolver ao mundo sua natureza selvagem”. Um objetivo que, apesar de ambicioso, é visto por ela como uma tarefa viável. “Fazer conservação é como remar contra a corrente — admite —, mas se não formos nós a fazer, quem fará?”

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