Ator Marcello Antony expõe preconceito sofrido pelo filho por possuir gene do HIV e relembra processo de adoção do herdeiro
Aos 60 anos, Marcello Antony desabafou sobre a adoção do filho e falou sobre o preconceito sofrido pelo herdeiro por ser portador do HIV. Na época, o processo chegou a ser simplificado pelas autoridades, já que ninguém queria adotar o menino por conta da condição passada pela mãe biológica.
Marcello Antony com os filhos
Foto: Reprodução/ Instagram / Mais Novela
Relato de Marcelo Antony
“Estava em uma entrevista outro dia e acabei comentando, muito rapidamente, que adotei um de meus filhos sabendo que era portador do gene do HIV. Isso repercutiu mal, de forma errada mesmo, como se eu estivesse expondo o Francisco. Nunca quis abrir o assunto antes, apesar da história já ter mais de duas décadas. Achei, porém, que tanto tempo depois havia chegado o momento”,
“Meu filho fez 22 anos, está grande e maduro, e a ideia é justamente quebrar um tabu e incentivar mais gente a adotar, sem se importar com a condição da criança. A maioria busca o bebê perfeito, coisa que não existe. A mãe do meu filho era soropositiva e assim ele nasceu, embora nunca tenha desenvolvido a doença. A gestação foi toda bem acompanhada e não houve amamentação — tudo para preservar o Francisco. A ciência evoluiu e, hoje, é mais fácil verificar as chances de um recém-nascido seguir com o vírus no organismo. São três testes. Quando ele veio para casa, havia passado por apenas um. Não tínhamos ideia do que nos aguardava”. Marcelo contou ter tido uma conexão forte com o filho após a adoção: “Não tínhamos ideia do que nos aguardava. Jamais falei da força espiritual de nosso encontro, como se fosse algo de vidas passadas. Do lado mais psicanalítico, me projetei nele, uma criança desamparada precisando de acolhimento, sentimento que trato na terapia”. O ator também relembrou as tentativas de engravidar com a esposa, Mônica Torres: “Cinco gestações não foram adiante, uma delas com três meses. Perdia, engravidava, perdia de novo, e a gente tentava. Fizemos de tudo para ter um bebê, recorremos a várias técnicas, mas não foi possível. Decidimos então partir para a adoção. Como era uma criança com o gene do HIV, ninguém a queria. O desembargador agilizou a papelada e, em um mês, já era meu filho legítimo. Rápido demais, dadas as circunstâncias. Um processo desses costuma levar anos”. A adoção é um tema que ainda carrega muitos estigmas, especialmente quando envolve crianças com condições de saúde. O relato de Marcello Antony lança luz sobre a realidade de muitas famílias que enfrentam barreiras e preconceitos ao optar por adotar. A decisão do ator de compartilhar a sua experiência visa não apenas humanizar o tema, mas também abrir um espaço para a discussão sobre a importância da inclusão e do amor altruísta. O preconceito contra pessoas portadoras do HIV ainda é uma questão alarmante em nossa sociedade. Muitas vezes, a falta de informação e o medo do desconhecido alimentam a discriminação. Quando alguém como Marcello fala sobre a adoção de uma criança nessa condição, ele não apenas desmistifica estigmas, mas também agrega esperança a outros que possam estar considerando a adoção. Com o avanço da medicina, a perspectiva sobre o HIV mudou drasticamente nas últimas décadas. Antirretrovirais e cuidados médicos adequados possibilitam que crianças nascidas com o vírus tenham uma vida saudável e plena, sem grandes limitações. Essa realidade, no entanto, ainda não é amplamente conhecida, o que gera uma hesitação significativa em potenciais adotantes. É essencial que campanhas educativas sobre o HIV sejam intensificadas, não apenas para quebrar preconceitos, mas também para promover uma aceitação maior de crianças que, embora tenham condições especiais, merecem amor e cuidado. Histórias como a de Marcello demonstram que o amor familiar supera qualquer barreira imposta pela sociedade. Adotar uma criança é um ato de amor que demanda responsabilidade, preparação emocional e consciência sobre a condição da criança que se está adotando. Para aqueles que estão considerando essa possibilidade, é vital que se informem sobre as necessidades específicas de crianças com condições médicas, como o HIV, e busquem suporte através de grupos especializados e profissionais da área. Além disso, famílias adotivas precisam estar prontas para lidar com os desafios emocionais que podem surgir. Isso inclui não só a adaptação do filho ao novo lar, mas também o auxílio na construção de uma autoimagem positiva e a gestão do preconceito que a criança possa enfrentar. A comunicação aberta e honesta é um fator chave para criar um ambiente de amor e aceitação. A história de Marcello Antony serve como um poderoso lembrete da resiliência e da força que existem no amor parental. O desejo de acompanhar e proteger uma criança, independentemente de sua condição, é um dos maiores atos de humanidade que podemos testemunhar. Adoções bem-sucedidas podem, de fato, alterar vidas, oferecendo uma nova chance e um novo começo. Por meio de relatos como o do ator, a sociedade é desafiada a repensar suas atitudes e preconceitos, promovendo uma cultura de aceitação e igualdade. Que a cada dia mais pessoas se sintam inspiradas a abrir seus corações e lares para crianças que precisam de amor e acolhimento, independentemente de suas condições.Reflexões sobre a Adoção e o Preconceito
A Evolução na Compreensão do HIV
Caminhos para uma Adoção Consciente
Conclusões Inspiradas pela Experiência

