Jogos como Roblox são ferramentas eficazes no tratamento da ansiedade infantil por psicólogos

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Os videogames têm provado ser uma ferramenta interessante no tratamento de diversas condições de saúde mental, incluindo a ansiedade e a depressão, especialmente em crianças. A plataforma Roblox se destaca nesse contexto, proporcionando um ambiente virtual onde terapeutas podem interagir de maneira mais descontraída e acessível. O uso de jogos na terapia, no entanto, gera debates entre profissionais da saúde sobre sua eficácia e segurança.

A pandemia de COVID-19 trouxe novos desafios para as sessões de terapia, especialmente para crianças que já enfrentam dificuldades em se abrir em um ambiente formal. O psicólogo Monet Goldman, residente na Califórnia, encontrou uma solução inovadora ao integrar Roblox em suas sessões. Essa abordagem facilitou a comunicação e ajudou a romper barreiras, permitindo que as crianças se sentissem mais à vontade para compartilhar suas preocupações.

Ao perguntar sobre os jogos preferidos de seus pacientes, Goldman criou uma conexão inesperada e estabeleceu um espaço seguro para a expressão emocional. Essa estratégia não só favoreceu o tratamento, mas também ampliou a possibilidade de uso de ambientes virtuais por terapeutas com diferentes faixas etárias, desde crianças até adolescentes e adultos.

Benefícios e desafios do uso de videogames na saúde mental

No contexto de terapia, os videogames oferecem uma nova perspectiva sobre a interação entre terapeuta e paciente. Parte do apelo dos jogos como o Roblox reside na sua capacidade de fornecer um escape interativo, longe das tensões do dia a dia. Isso pode ser particularmente útil para crianças que já se sentem sobrecarregadas por emoções complexas como ansiedade e depressão.

As dinâmicas de jogo podem estimular a autoexpressão e a criatividade, permitindo que os jovens explorem seus sentimentos em um espaço seguro e divertido. Além disso, jogos projetados especificamente para o tratamento psicológico, como o MindLight, têm mostrado potencial para ajudar no controle da ansiedade. A interação através de jogos pode ser uma forma de distração positiva, afastando os pensamentos negativos que frequentemente acompanham esses transtornos.

Entretanto, esse uso de jogos na terapia não é universalmente aceito. Profissionais de saúde mental expressam preocupações legítimas sobre o risco de dependência e os efeitos negativos de um tempo excessivo de tela nas crianças. Estudos já demonstraram que videogames podem levar à liberação de neurotransmissores que alteram o estado de ânimo, criando um círculo vicioso onde os jogadores sentem necessidade constante de jogar para alcançar um nível de satisfação.

Contudo, a questão central que emerge deste debate é o equilíbrio. Para muitos especialistas, a chave está em um uso moderado e consciente dos jogos, que deve ser acompanhado de perto por pais e terapeutas. Limitações na quantidade de tempo disponível para jogar, bem como o tipo de conteúdo consumido, são aspectos críticos que devem ser considerados.

Estudos e evidências sobre videojogos e saúde mental

Pesquisas sobre o impacto dos videogames na saúde mental têm crescido nos últimos anos. Um estudo de 2017 publicado na revista Prevention Science sugeriu que jogos como o MindLight poderiam ser eficazes no tratamento de ansiedade em crianças. Outro estudo conduzido pela East Carolina University revelou que jogos terapêuticos podem ser tão ou mais eficazes que medicamentos tradicionais em alguns casos.

Esses achados são encorajadores e indicam que, quando usados de maneira estratégica, os videojogos podem se tornar uma ferramenta valiosa para terapeutas. Tal prática cria um espaço onde os pacientes podem abordar suas questões emocionais de forma menos intimidante. Por exemplo, o Roblox não apenas serve como um jogo de entretenimento, mas oferece uma plataforma de socialização virtual, onde usuários podem interagir em um ambiente familiar e lúdico.

Entretanto, a controvérsia persiste. Profissionais como Larry Rosen alertam para os potenciais riscos do uso excessivo de jogos. Ele observa que a liberação de substâncias químicas que provocam prazer pode resultar em comportamentos viciantes, levando a um ciclo de dependência. Em resposta a esses riscos, alguns países, como a China, implementaram restrições severas ao tempo que as crianças podem gastar jogando.

Esse dilema entre potencial benéfico e riscos associados ao uso de videogames destaca a importância de um diálogo aberto entre terapeutas, pacientes e pais. Manter a saúde mental e o bem-estar emocional em primeiro plano deve ser sempre a prioridade em qualquer abordagem terapêutica que envolva mídias digitais.

A opinião dos profissionais sobre videojogos e saúde mental

As opiniões sobre o uso de videojogos como ferramenta terapêutica variam amplamente entre os profissionais de saúde mental. Muitos, como a psicóloga Aimee Daramus, adotam uma abordagem positiva, ressaltando que os jogos podem servir como um recurso para ajudar os pacientes a relaxar e se sentir mais conectados. Esse ponto de vista é especialmente relevante em situações onde o paciente pode estar lutando para se abrir ou se comunicar.

Por outro lado, outros especialistas permanecem céticos. Eles levantam questões sobre o impacto do tempo excessivo em telas, o risco de dependência, e as potenciais consequências de se utilizar jogos como um meio de distração em vez de abordar diretamente as questões emocionais. Essa divisão de opiniões sugere a necessidade de uma abordagem equilibrada, onde os benefícios podem ser explorados enquanto se permanece ciente e vigilante sobre os riscos.

O consenso parece indicar que, embora os videojogos possam ter um papel benéfico na terapia, eles não devem substituir o tratamento convencional. Em vez disso, devem ser vistos como um complemento a métodos terapêuticos mais tradicionais. Existem muitos casos em que uma combinação de técnicas, incluindo terapia convencional e métodos interativos como jogos, pode levar a melhores resultados para os pacientes.

O futuro do uso de videojogos na terapia

O potencial dos videojogos na terapia é um campo de estudo em crescente desenvolvimento. À medida que mais pesquisas são conduzidas e compreendemos melhor a interação entre jogadores e jogos, novas oportunidades podem surgir para integrar essa tecnologia à prática psiquiátrica e psicológica.

Conforme o reconhecimento do papel positivo que os videojogos podem desempenhar se espalha entre os profissionais de saúde, espera-se que mais terapeutas comecem a explorar jogos como uma opção de tratamento. Essa tendência pode não apenas ajudar pacientes a se sentirem mais à vontade, mas também fomentar um ambiente de cura mais envolvente e dinâmico.

Entretanto, é necessário que essa evolução seja acompanhada por diretrizes claras e práticas que protejam os usuários. Isso inclui a formação de profissionais para assegurar que a utilização de videojogos seja feita de maneira responsável e ética. Além disso, conversas com os pais e os próprios pacientes são fundamentais para entender como cada indivíduo pode se beneficiar desses avanços enquanto se mantêm adequados às suas necessidades específicas.

O futuro do uso de videojogos na terapia parece promissor, embora permaneça repleto de desafios. Com um olhar atento e uma abordagem responsável, essa inovação poderá se traduzir em novos caminhos para a saúde mental das próximas gerações.

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