Recentemente, o mercado financeiro brasileiro foi agitado pela notícia sobre a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Esta transação, que envolve a compra de 58% do capital do Banco Master, trouxe à tona questões sérias sobre a prática de emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) por essa instituição financeira.
Os CDBs são instrumentos de renda fixa emitidos por bancos para captar recursos. Sendo assim, os investidores que aportam dinheiro nesses títulos recebem, ao final do período estabelecido, o montante investido acrescido de juros. Esses juros, frequentemente, estão escalonados de acordo com a taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que serve como referência para investimentos em renda fixa.
No caso do Banco Master, a instituição demonstrou uma pretensão de retorno aos seus investidores que ultrapassava em muito o CDI. Em determinados casos, a promessa de rentabilidade chegava a 140%, uma oferta bem acima do que a maioria dos bancos estava praticando no mercado.
Segundo os dados financeiros de 2024, o Banco Master reportou um lucro expressivo de R$ 1 bilhão, superando os R$ 523 milhões de 2023. O patrimônio líquido também apresentou um crescimento relevante, saltando de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,7 bilhões. Contudo, a análise financeira revelou um dado preocupante: sem um novo aporte de capital, o banco estaria apto a honrar apenas parte de seus compromissos, podendo cumprir somente metade dos pagamentos prometidos aos investidores até o final de 2025. Com vencimentos que totalizam R$ 7,6 bilhões até junho de 2025, essa situação cria um cenário alarmante, já que a liquidez do banco gira em torno de R$ 8 bilhões.
Além disso, a exposição do Banco Master ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) chamou a atenção dos especialistas. O volume de CDBs emitidos pelo banco representa quase meia parte do patrimônio total do FGC, o que levanta preocupações sobre a segurança do fundo em caso de inadimplência. Isso evidencia um descompasso entre as promessas de pagamento do banco e sua capacidade operacional. Diante desse contexto, será que a reputação de um dos investimentos mais “seguros” está em risco?
Mercado em 2025: Confiança X CDBs
A recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic para 14,25% ao ano, um aumento de 1 ponto percentual. Esse cenário elevado de juros favorece investimentos em renda fixa, tornando-os ainda mais atrativos. Assim, apesar das repercussões negativas geradas pelo caso do Banco Master, o mercado de CDBs mantém-se aquecido.
A Selic em alta tem feito os investidores voltarem seus olhares para a renda fixa, e os CDBs continuam a ser considerados uma opção promissora para quem busca retorno com certa previsibilidade. Leonardo Araújo, especialista em investimentos da GT Capital, observa que o ambiente para os CDBs permanece positivo. Segundo ele, a oferta de títulos com rentabilidades atrativas, especialmente superiores a 1% ao mês, permanece forte.
Embora existam incertezas no ar, especialistas afirmam que a confiança no mercado de CDBs não se dissipou. Maria Luisa Paolantoni, analista da Nord Investimentos, destaca que os investidores estão mais cautelosos, mas ainda confiantes. “O essencial é avaliar cuidadosamente os emissores dos CDBs e olhar com atenção para taxas de juros que estão além da média do mercado,” diz Paolantoni.
Araújo complementa que investidores que não pretendem manter os títulos até os vencimentos devem ser particularmente cuidadosos com ativos pós-fixados, pois esses podem gerar perdas se resgatados antes do tempo adequado. Os especialistas indicam que a seleção dos emissores e a verificação do rating de crédito da instituição em questão são etapas essenciais para uma escolha acertada.
O investimento
Para quem busca previsibilidade nos investimentos, os CDBs se destacam como opções atrativas. Por serem predominantemente ativos de renda fixa, eles atraem perfis mais conservadores. Na hora de decidir, é crucial que os investidores considerem seu perfil de risco e analisem o cenário econômico em que desejam inserir seus recursos.
Paolantoni enfatiza a importância de manter os olhos abertos em relação à reputação das empresas emissoras e recomenda estar atento às classificações de risco de crédito, que avaliam a capacidade das instituições de honrar suas dívidas.
Analisando as formas de investimento, atualmente existem duas principais maneiras de adquirir CDBs: por meio de uma conta bancária ou através de uma corretora de investimentos. Araújo sugere que, dado o cenário atual, os CDBs pós-fixados, que estão atrelados à Selic, são os mais interessantes. Eles tendem a oferecer retornos que acompanham a taxa de juros brasileira.
Outra alternativa válida é apostar em CDBs vinculados à inflação, que ajudam a proteger o poder de compra do investidor contra a desvalorização da moeda. “A minha recomendação foca nesses dois tipos de CDBs, um atrelado à inflação e outro à Selic, idealmente com prazos de até 4 anos,” afirma Araújo, ressaltando a volatilidade do cenário econômico atual.
Para Paolantoni, no entanto, a preferência recai sobre prazos mais curtos, com resgates em até um ano. “Esse limite ajuda o investidor a não perder liquidez devido às oscilações do mercado,” sugere.

