A disputa pela marca “iPhone” entre a Gradiente e a Apple tem sido um exemplo emblemático de conflitos de marcas no Brasil. Embora a Gradiente tenha conseguido uma vitória parcial no STJ, isso não significa que a disputa está encerrada. O caso se estende por um longo histórico judicial e envolve questões legais complexas que, em última análise, devem ser decididas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Para muitos, essa batalha remete a um tempo em que ambas as marcas operavam em ambientes bastante diferentes. A Gradiente, uma marca tradicional brasileira, buscou o registro da marca “G GRADIENTE IPHONE” em 2000, enquanto a Apple estava se preparando para lançar seu icônico smartphone em 2007. Essa simultaneidade gerou um cenário jurídico e comercial conturbado.
Como a Gradiente Conquistou o Registro
A história do registro da Gradiente remonta a 2000, quando a empresa solicitou ao INPI uma proteção para seu nome. Após anos de esperas e burocracia, o registro foi finalmente concedido em 2008, o que coincidiu com a apresentação oficial do iPhone ao público brasileiro. A partir desse momento, a Gradiente tornou-se legalmente proprietária da marca “G GRADIENTE IPHONE”.
O que se seguiu foi uma série de disputas jurídicas. Em 2013, a Gradiente lançou um smartphone com o nome “iPhone”, que era rodado pelo sistema Android. A partir daí, vimos aumentar a complexidade da disputa. A Apple logo entrou na briga, alegando que a Gradiente não poderia usar o nome da mesma forma, buscando a nulidade do registro realizado pela concorrente.
Desdobramentos Judiciais
O primeiro grande triunfo da Apple no tribunal foi a decisão favorável ao pedido de anulação por caducidade, onde a empresa argumentava que a Gradiente não estava utilizando a marca em seus produtos conforme o estipulado. No entanto, essa primeira vitória foi rapidamente contestada. O TRF-2 analisou o caso e, em 2018, decidiu que ambas as empresas teriam o direito de utilizar a marca “iPhone”, o que estabeleceu um precedente interessante no âmbito jurídico.
A situação voltou à tona em 2024, quando o TRF-2 anuiu a decisão que anteriormente favorecia a Apple, identificando que houve erro na distribuição do processo. Assim, a Gradiente continuou a ter seu registro ativo, mas a luta jurídica ainda estava longe do fim.
A Século XXI e o Supremo Tribunal Federal
A decisão que emergiu essa semana no STJ foi vista como um marco, mas destaca a necessidade de um desfecho definitivo por meio do STF. O Recurso Extraordinário já tramita na corte e será crucial para determinar quem, de fato, detém o direito exclusivo sobre a marca “iPhone” no Brasil.
A maioria dos ministros do STF parece inclinada a defender a Apple, o que pode indicar um movimento a favor da gigante americana, mesmo que a Gradiente tenha sua marca registrada. Esse cenário se desenha em meio a uma série de narrativas complexas sobre direitos de marca, uso e a identidade do consumidor.
O Que A Apple Pode Fazer? Um Olhar para o Futuro
Com a decisão do STJ, a Apple se encontra em uma posição desafiadora. Embora a Gradiente tenha obtido um respiro jurídico, a verdade é que a Apple continua a contar com uma estrutura legal poderosa. O que cabe à gigante de Cupertino agora é preparar-se para a batalha final no STF, que poderá não apenas definir o uso da marca no Brasil, mas também moldar como as disputas de marcas são tratadas no país.
Enquanto isso, a percepção do consumidor e a identidade da marca “iPhone” permanecerão em debate. A luta pelo nome é símbolo de algo maior no mundo dos negócios: a luta pela inovação e a luta pelo reconhecimento em mercados saturados. O que está em jogo não é apenas uma marca, mas a luta por um lugar de destaque no coração dos consumidores brasileiros.
FAQs sobre a Disputa pelo Nome “iPhone”
- Qual foi a decisão do STJ em relação à marca “iPhone”?
O STJ decidiu manter o registro da marca “G GRADIENTE IPHONE” ativo, mas isso não garante exclusividade para a Gradiente. - A Gradiente pode usar o nome “iPhone” livremente?
Ainda não. A disputa continua e a decisão final será do STF. - Quando a Gradiente registrou a marca “G GRADIENTE IPHONE”?
O registro foi solicitado em 2000 e concedido em 2008. - O que a Apple pode fazer agora?
Ela pode recorrer ao STF para tentar garantir o uso exclusivo da marca “iPhone” no Brasil. - Qual é a posição do Supremo até agora?
A maioria dos ministros parece favorável à Apple. - Por que a Apple pediu a caducidade da marca?
A Apple argumentou que a Gradiente não estava utilizando a marca conforme o estipulado. - O que aconteceu em 2018?
O STJ decidiu que ambas as empresas poderiam usar a marca “iPhone”. - Qual o impacto potencial dessa decisão?
Essa disputa pode influenciar futuros casos de marcas e a forma como são tratadas na justiça brasileira.

