Explorando os Vastíssimos Oceanos de Água em Urano e Netuno

Explorando os Vastíssimos Oceanos de Água em Urano e Netuno, photorealistic, 4k, high detail

Urano e Netuno são os planetas do Sistema Solar mais distantes do Sol, e também os mais enigmáticos. Entre os mistérios envolvendo esses gigantes gelados, destaca-se a configuração de seus campos magnéticos, que se diferenciam de forma significativa dos demais planetas vizinhos. Quando a missão Voyager 2, da NASA, passou perto de Urano, a sonda detectou um campo magnético peculiar.

Para comparação, o campo magnético da Terra origina-se em seu núcleo e possui uma distinção clara entre o polo sul e o polo norte, conhecida como “dipolo”. A maioria dos planetas do Sistema Solar possui essa característica, exceto os gigantes gelados.

Urano apresenta um campo magnético assimétrico, que não segue o eixo planetário, e sua intensidade varia de maneira drástica ao longo de sua superfície. Três anos depois, a Voyager 2 encontrou um campo magnético igualmente anômalo em Netuno. A origem dessas anomalias ainda não é completamente entendida.

Uma hipótese recente sugere que as medições realizadas pela NASA ocorreram em um momento anômalo, o que poderia explicar as leituras incomuns. Contudo, uma nova pesquisa propõe que as anomalias podem ser resultado da existência de um gigantesco oceano subterrâneo, com mais de 8.000 km de extensão em cada um dos planetas.

Essa teoria foi desenvolvida por Burkhard Militzer, um cientista planetário da Universidade da Califórnia, em Berkeley. A pesquisa que detalha essa hipótese foi publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Oceano Sob Pressão

Urano e Netuno são classificados como gigantes gelados. Ao contrário de seus vizinhos gasosos, como Saturno e Júpiter, que são compostos predominantemente de hélio e hidrogênio, esses planetas são formados por gases mais pesados, como oxigênio, carbono, nitrogênio e enxofre, que estavam frios quando foram incorporados aos planetas, ou estavam congelados e aprisionados em gelo de água.

Por muito tempo, o interior desses planetas foi uma incógnita, e a nova teoria é animadora. Militzer baseou-se em simulações do movimento para modelar o interior de Urano e Netuno. As simulações sugerem a presença de um oceano de água, juntamente com hidrogênio em alta condutividade, o que é crucial para entender os campos magnéticos desses planetas.

Os possíveis oceanos presentes em Urano e Netuno estariam sob uma pressão cerca de 60 mil vezes maior do que a pressão atmosférica que atua nos oceanos da Terra. Isso significa que esses oceanos poderiam se comportar como fluidos supercríticos – uma mistura de gás e líquido, sem uma distinção clara entre as fases.

Esses oceanos “indecisos” estariam segregados, como água e óleo, de uma camada rica em carbono situada entre a camada de água e o núcleo dos planetas. O núcleo de Urano tem aproximadamente o tamanho do planeta Mercúrio, enquanto o núcleo de Netuno chega a ser comparável ao tamanho de Marte.

Antes da proposta de Militzer, muitos cientistas acreditavam que o interior dos gigantes gelados era mais homogêneo, sem as divisões claras entre as fases que surgem na simulação do cientista. O modelo computacional sugere que essa camada de água, exclusiva aos gigantes gelados, perturbaria os campos magnéticos desses planetas, contribuindo para a assimetria observada.

A Próxima Visita a Urano e Netuno

Para validar essa hipótese, será necessária uma nova missão aos gigantes gelados. A NASA já planeja uma visita a Urano, embora essa missão provavelmente só será lançada em 2034, quando um alinhamento planetário entre Netuno, Urano e Júpiter permitirá um “estilingue gravitacional” que acelerará a viagem.

Explorar Urano e Netuno é essencial para expandir nosso conhecimento sobre a formação e evolução dos planetas do Sistema Solar. Estudar seus campos magnéticos e o interior desses gigantes gelados pode revelar informações significativas sobre a dinâmica planetária em regiões tão distantes.

As simulações e teorias propostas por Militzer e outros cientistas destacam a complexidade do Sistema Solar. Ao entender mais sobre a composição e as características de Urano e Netuno, podemos traçar um panorama mais amplo sobre a natureza dos planetas e suas interações.

A pesquisa contínua sobre esses planetas não apenas contribui para a evolução da astrofísica, mas também pode fornecer pistas sobre a possibilidade de vida em planetas semelhantes fora do Sistema Solar, um tema que fascina cientistas e amantes da astronomia em todo o mundo.

Compartilhe nas Redes: