Para Morgan Stanley, dólar deve se desvalorizar em cerca de 9% até meio de 2026, chegando ao menor valor desde a pandemia
Mesmo com a previsão de queda global do dólar em relação a outras moedas, fatores internos e fiscais no Brasil dificultam uma projeção clara de desvalorização frente ao real, apontando para incertezas no curto e médio prazos.
Os relatórios mais recentes de grandes bancos mundiais apontam para uma tendência de queda do dólar em relação às moedas que integram o Índice de Dólar dos EUA (DXY).
Na última semana, analistas do Morgan Stanley chegaram a prever que o dólar chegará ao seu menor valor de mercado desde a pandemia. Aqui no Brasil, no entanto, a projeção de queda ou aumento do dólar depende de vários outros fatores.
As projeções do dólar no mundo
Lucas Tavares, líder de operações de câmbio na WIT Exchange, explica que os relatórios internacionais comparam o dólar com a cesta de moedas que compõem o DXY, que inclui euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.
Para o Morgan Stanley, o dólar deve se desvalorizar em cerca de 9% até meados de 2026. Paula Zogbi, gerente de investimentos da Nomad, analisa que as projeções de queda no crescimento da atividade vinculada à guerra comercial podem estar minando a confiança no chamado “excepcionalismo americano”.
Os governos estão buscando alternativas para suas reservas internacionais para diminuir a dependência dos EUA, o que culminou numa alta do ouro. Além disso, espera-se um corte de juros pelo Banco Central americano, o FED, o que diminui a atratividade dos títulos públicos americanos.
A diferença de juros dos Estados Unidos para outras economias mais fortes, como União Europeia e Inglaterra, tende a diminuir, resultando em um fluxo maior de capitais para essas regiões.
As projeções do dólar no Brasil
Ao analisar o desempenho do dólar em relação ao real, é necessário ter cautela. O Brasil pode se beneficiar da “perda de força” do dólar, já que como país emergente pode ser puxado por outros mercados, levando o real a se fortalecer.
Entretanto, esse otimismo esbarra em um cenário econômico interno repleto de incertezas. O recente aumento no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), conforme um decreto do governo, deixou o mercado apreensivo quanto às futuras políticas fiscais.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfrenta desafios significativos ao tentar equilibrar aumento de arrecadação e manutenção da confiança do mercado. Tavares destaca que o aumento do IOF sobre operações de câmbio visa a uma maior arrecadação, considerando as necessidades fiscais atuais do Brasil.
Embora o cenário global possa favorecer a nossa moeda, a complexidade do panorama fiscal interno, que ainda não possui um plano bem definido até o final do ano, gera incertezas.
Paula Zogbi resume a situação ao afirmar que “há espaço para desvalorização do dólar em relação ao real no curto ou médio prazos, mas não é uma projeção simples de ser feita. Focar no longo prazo tende a ser uma estratégia mais interessante”.
Mesmo com a desvalorização do dólar em comparação a moedas de países desenvolvidos, ele continua a ser visto como um ativo de segurança, um status que deve se manter nas próximas décadas.
A análise sugere que, embora o dólar enfrente desafios, questões como a busca por referências alternativas, como o ouro, influenciam as expectativas de longo prazo. No entanto, a liquidez e o tamanho do mercado americano não têm paralelo em outras economias, resultando em poucas alternativas viáveis no horizonte próximo.
Desafios e Perspectivas da Moeda Americana
A evolução do dólar envolve uma série de fatores que transcendem as fronteiras financeiras dos Estados Unidos. A interconexão das economias globais faz com que mudanças em políticas monetárias e fiscais impactem nacionalmente e internacionalmente. O que se observa é que, apesar das previsões de desvalorização, a moeda americana mantém uma posição privilegiada no comércio e investimento internacional.
Além disso, as mudanças nas expectativas de crescimento em economias emergentes, como Brasil, Índia e algumas nações africanas, apresentam um cenário ambíguo. Esses países podem se beneficiar de fluxos de investimento à medida que o dólar se desvaloriza. Contudo, a dependência de commodities e a instabilidade política interna continuam a ser barreiras significativas.
Em um contexto mais amplo, o impacto da inflação e das taxas de juros também não pode ser negligenciado. Com os bancos centrais em todo o mundo respondendo a pressões inflacionárias, como as que vivemos, a definição da trajetória do dólar será moldada pela resposta global a esses desafios.
Dessa forma, muito se espera da atuação de grandes potências, que poderão influenciar a moeda através de decisões políticas e econômicas. A dinâmica entre ativos tradicionais, como ouro e dólar, também seguirá desempenhando um papel vital nas expectativas de investidores.
Por fim, o olhar atento à evolução dos índices de vulnerabilidade e resiliência econômica dos países ajudará a entender como o dólar e suas interrelações se comportarão nas próximas décadas.

