Uma nova onda de ciberataques tem como alvo usuários de sistemas operacionais populares como Windows e macOS. Recentemente, identificou-se uma ferramenta falsa, chamada EditProAI, que promete gerar imagens e vídeos utilizando inteligência artificial, mas, na verdade, é uma armadilha para espalhar malwares. Esses malwares são projetados para roubar dados sensíveis das vítimas, aproveitando-se da enorme curiosidade e demanda por soluções baseadas em IA.
De acordo com o pesquisador de cibersegurança g0njxa, a campanha maliciosa utiliza anúncios altamente chamativos no X (antigo Twitter) para atrair os usuários. Os malwares envolvidos são o Lumma Stealer, que ataca sistemas Windows, e o AMOS, voltado para usuários de macOS. As diferenças entre eles residem apenas na compatibilidade com as plataformas. Ambos têm uma função em comum: coletar informações sensíveis armazenadas nos navegadores.
Malware usa anúncios do X
Os responsáveis pela propagação do malware criam anúncios com deepfakes que simulam figuras políticas conhecidas. Um dos exemplos mais alarmantes é um vídeo editado onde o presidente dos EUA, Joe Biden, aparece interagindo com seu rival político, Donald Trump. Essa técnica de manipulação visual é eficiente para despertar a curiosidade e engajar o público.
Ao interagir com os anúncios, os usuários são redirecionados a um site fraudulentamente legítimo do EditProAI. Existem dois endereços distintos: um para usuários de Windows, que termina em “pro”, e outro para quem usa Mac, finalizando em “org”.
Esses sites são projetados de forma a parecerem profissionais, imitando as páginas de serviços legítimos, com banners para aceitação de cookies, o que aumenta a credibilidade aparente. Um simples clique no botão “Get Now” resulta no download de um arquivo: um .exe para Windows e um .dmg para macOS, os quais contêm os malwares.
A versão voltada para Windows apresenta uma assinatura vinculada ao site softwareok.com, que provavelmente foi roubada. Em testes realizados em ambientes seguros (sandboxes), é possível identificar a presença do Lumma Stealer.
Propaganda e IA viram iscas
Essa tática de ataque ilustra um fenômeno crescente no mundo da cibersegurança. Por um lado, utiliza-se o crescente interesse e a popularidade da inteligência artificial para atrair vítimas descuidadas. Nos últimos tempos, mecanismos conhecidos como ChatGPT e Gemini (anteriormente chamado Bard) já foram usados em campanhas semelhantes.
Por outro lado, a estratégia de usar grandes plataformas de anúncios para alcançar um público maior é um método bem estabelecido, conhecido como “malvertising”. Um exemplo notório dessa prática envolveu a criação de um site falso do Google Authenticator, que foi impulsionado por anúncios dentro do próprio mecanismo de busca do Google.
Por isso, é crucial que os usuários permaneçam vigilantes e desconfiem de ofertas que parecem boas demais para serem verdade. O senso crítico deve ser aguçado, especialmente quando se navega em ambientes digitais repletos de armadilhas.
O que torna esses ataques ainda mais perigosos é a forma como os criminosos estão se adaptando às tendências modernas. À medida que as tecnologias evoluem, os métodos de trapacear também se aprimoram, e a combinação de publicidade enganosa com ferramentas sofisticadas de IA parece ser um caminho promissor para os atacantes.
Como se proteger contra esses ataques
A prevenção é sempre o melhor remédio. Aqui estão algumas dicas práticas para manter seus dados e dispositivos seguros:
- Mantenha seu software atualizado: Certifique-se de que todos os aplicativos e sistemas operacionais estejam sempre na versão mais recente, minimizando as vulnerabilidades.
- Evite clicar em anúncios suspeitos: Desconfie de qualquer anúncio que prometa serviços ou produtos de forma exagerada, especialmente em redes sociais.
- Use antivírus confiáveis: Instalar e manter um bom software de antivírus pode ajudar a detectar e eliminar malwares antes que causem danos.
- Verifique a URL: Sempre confirme se o site que você está visitando é legítimo e seguro, observando o domínio e a presença de HTTPS.
Essas medidas simples podem fazer uma grande diferença na proteção de suas informações pessoais e financeiras, garantindo uma navegação mais segura na internet.
O impacto da inteligência artificial no cibercrime
A rápida evolução das tecnologias de inteligência artificial não só trouxe benefícios, mas também novas oportunidades para atividades ilícitas. Os criminosos estão cada vez mais utilizando ferramentas baseadas em IA para automatizar ataques, criar deepfakes mais convincentes e enganar as vítimas de maneiras mais sofisticadas.
A aplicação de técnicas de IA na criação de conteúdo falso pode levar a uma onda de desinformação online, dificultando ainda mais a capacidade dos usuários de distinguir entre o verdadeiro e o falso. Ferramentas de geração de texto e imagem, quando mal utilizadas, podem, assim, se transformar em instrumentos para propagar fraudes e golpes.
Com o aumento do uso de tecnologias emergentes, é imperativo que tanto indivíduos quanto organizações fiquem atentos a essas ameaças. A educação digital deve se tornar uma prioridade, ensinando os usuários a reconhecer os sinais de fraude e como se proteger proativamente.
Além disso, as empresas precisam adotar uma postura defensiva robusta, investindo em sistemas de segurança cibernética que empreguem inteligência artificial não apenas como uma ferramenta para melhorar a experiência do cliente, mas também como um meio de detectar e neutralizar ameaças potenciais de forma ágil.
As colaborações entre empresas de tecnologia, pesquisadores de segurança e autoridades são fundamentais para combater essa nova onda de crimes cibernéticos. Quanto mais rápido e eficaz for o compartilhamento de informações e estratégias, melhor será a capacidade de resposta a essas ameaças dinâmicas.
Por fim, a conscientização é uma das melhores armas contra crimes cibernéticos. Quanto mais informados estivermos, menos vulneráveis seremos a ataques desse tipo.

