Desafios de Acesso e Consumo para Pessoas com Deficiência

A close-up shot of a person in a wheelchair navigating a busy urban sidewalk, showcasing accessibility ramps and people around them, with emphasis on the contrast of their determined expression and the obstacles present, photorealistic, 4K, HDR, cinematic lighting, ultra detailed, award-winning photography, vibrant colors.

Uma consulta feita pela Fundação Procon-SP entre consumidores que acessaram seu site revela que pessoas com deficiência ainda encontram dificuldades para ter seus direitos respeitados no mercado de consumo. Do total de participantes da consulta, 92% informaram que encontram dificuldades para comprar ou utilizar produtos e serviços em estabelecimentos físicos (47% sempre e 44% às vezes); entre os consumidores que compram de forma on-line, 69% consideram que há dificuldades – 17% sempre e 52% às vezes.

Somente 8% disseram nunca ter enfrentado dificuldades nas compras em lojas físicas; no caso dos que afirmam fazer compras on-line, 31% informaram nunca ter problemas.

O questionário da enquete foi disponibilizado no site e nas redes sociais do Procon-SP de 22 de julho a 20 de agosto e contou com a colaboração da Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência. Um total de 457 consumidores com deficiência responderam.

Boa parte dos respondentes afirmou que a deficiência já impediu de comprar algum produto ou serviço – este percentual foi de 74% nas lojas físicas e de 67% nas virtuais. Presencialmente, os consumidores disseram ter encontrado mais dificuldades na hora de comprar em lojas em geral, supermercados, transportes, restaurantes/bares/casas noturnas/lanchonetes e bancos/financeiras.

Já nas compras on-line, todas as categorias de site apresentadas foram apontadas, sendo as três mais mencionadas: loja de variedades, supermercado e estabelecimento de serviços em geral; dentre as dificuldades mais relatadas estão: site não acessível, fazer cadastro e/ou validar senhas / acessos e saber a data de validade dos produtos.

Estes resultados indicam que ainda há muito a fazer para que o setor de varejo atenda de forma ampla ao Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) – que tem como objetivo assegurar e promover os direitos das pessoas com deficiência física, mental ou sensorial, visando a sua inclusão social e cidadania –; e à Lei Federal 8.078/90, o Código de Defesa do Consumidor.

Para o Procon-SP, é essencial que haja investimento em treinamento de pessoal que trabalhe diretamente no atendimento aos clientes, inclusive os do SAC; em formas para que este público seja devidamente identificado e atendido, além de investimentos em tecnologia para aprimorar e garantir a acessibilidade dos consumidores com deficiência. Isso, também se estende à produção das embalagens dos produtos e à adequação dos sites que vendem on-line.

Comparação com a edição de 2020

Em relação aos resultados obtidos no levantamento feito em 2020, a pesquisa não constata uma melhora no atendimento a esse público, ao contrário. No caso do comércio on-line, houve um retrocesso, já que em 2020, 61% dos entrevistados informavam não ter dificuldades para comprar ou acessar serviços, contra 31% dos que responderam que não tiveram nenhuma dificuldade neste último levantamento.

Esta informação pode sugerir uma ampliação do comércio eletrônico, mas, sem a devida correspondência em termos de ferramentas de acessibilidade.

Já os números das lojas físicas apontam uma discreta melhora: antes 6% não tinham dificuldade e, em 2024, o número apontado subiu para 8%.

Dificuldades e setores mais apontados em 2024

Os problemas citados no caso das lojas físicas foram: acesso e circulação no local (barreiras arquitetônicas e obstáculos, falta de sinalização, portas e elevadores inadequados, ausência de banheiro acessível); falta de preparo dos atendentes; dificuldades para ter acesso aos produtos e ofertas; saber o preço e condições de pagamento; problemas com as embalagens; e ainda para obter ou preencher documentos e efetuar pagamentos.

No comércio on-line, as principais dificuldades apontadas foram: site não acessível; dificuldade com cadastro ou senha; saber a data de validade; encontrar os produtos; saber o preço e condições de pagamento; e realizar pagamentos.

No caso das compras presenciais, os cinco setores mais apontados pelos entrevistados foram: loja em geral; supermercado; transporte; restaurante/bar/casa noturna/lanchonete; e banco/financeira. Já os segmentos indicados pelos consumidores que disseram ter dificuldades nas compras on-line foram: loja de variedades; supermercado; estabelecimento de serviços em geral; serviço público; farmácia/drogaria; e banco.

Recomendações

Com o objetivo de adequar continuamente as condições de acessibilidade para as pessoas com deficiência em suas relações de consumo, os especialistas da Fundação Procon-SP têm algumas recomendações importantes:

  • Observar as barreiras arquitetônicas e obstáculos físicos, de uma forma geral, nos locais onde os consumidores com deficiência necessitem realizar suas compras de forma presencial, o que inclui sinalização adequada, banheiros acessíveis, portas e elevadores com dimensões apropriadas, etc.;
  • Investir em treinamento de pessoal e em tecnologia para aprimorar e garantir a acessibilidade dos consumidores com deficiência, incluindo as embalagens dos produtos, adotando ferramentas de acesso nos sites que vendem on-line.
Compartilhe nas Redes: