China Apresenta Estratégia para Reduzir Uso de Farelo de Soja em 10% até 2030

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A China está implementando mudanças significativas em suas práticas de alimentação animal, com foco na redução do uso de grãos na dieta de suínos e aves. O objetivo é que a proporção de ração baseada em grãos seja reduzida para cerca de 60% e o uso de farelo de soja diminua para 10%. Essas informações foram compartilhadas pelo Ministério da Agricultura da China em um comunicado recente, onde também destacou essa estratégia como parte de um plano mais amplo para diminuir a dependência das importações de soja, especialmente em um cenário de tensões comerciais com os Estados Unidos.

Em abril de 2023, o governo já havia estabelecido uma meta para que o uso de farelo de soja na ração animal ficasse abaixo de 13% até 2025. Em 2023, esse percentual já havia caído para 13%, demonstrando uma tendência de redução gradual. A nova meta de 10% reflete uma abordagem mais ousada em busca de maior autossuficiência alimentar, uma preocupação crescente para a nação asiática.

O Cenário Atual da Produção de Ração Animal na China

A indústria chinesa de ração animal, que consome a maior parte da soja importada, tem como principal objetivo garantir a eficiência e a estabilidade na alimentação de criações, principalmente a suína. Com os processadores de soja fazendo compras em grandes quantidades, a China visa consolidar sua produção de farelo e óleo de soja, essenciais para a dieta de seus animais. Esta medida foi impulsionada pela necessidade de cortar custos e garantir uma produção sustentável.

O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China declarou: “Ao mesmo tempo em que garante o fornecimento estável e seguro de grãos e produtos agrícolas essenciais, a China se esforçará para reduzir e substituir grãos para ração, visando diminuir o uso de ração na produção pecuária, cortar custos e aumentar a eficiência.” Essa estratégia demonstra um foco claro na inovação e na busca por alternativas mais sustentáveis.

Outra meta interessante é a previsão de que o consumo médio de ração por quilo de produtos de origem animal em fazendas de grande porte deve cair em mais de 7% até 2030, em comparação com 2023. Essa redução pode ser vital para melhorar a eficiência geral do setor, além de impactar positivamente a sustentabilidade das práticas de criação animal no país.

Inovações na Ração Animal

Para alcançar esses objetivos ambiciosos, a China está considerando alternativas ao uso tradicional de grãos na ração. O ministério anunciou planos para ampliar o uso de insumos não convencionais, como proteína microbiana, resíduos alimentares, proteína de insetos e proteína de origem animal. A expectativa é que a capacidade de produção desses insumos alcance mais de 10 milhões de toneladas até 2030. Essa diversificação não apenas ajudaria a reduzir a dependência da soja, mas também promoveria práticas de produção mais sustentáveis.

Ademais, um crescimento significativo na produção de forrageiras de alta qualidade está previsto, com um aumento de mais de 40 milhões de toneladas em relação a 2023. Essa ênfase na forragem de qualidade também pode resultar em uma melhora na nutrição animal, impactando diretamente a produção de carne e leite.

Implications for the Global Market

As decisões da China têm potencial para influenciar o mercado global de soja e ração animal. A redução na demanda por farelo de soja pode afetar os preços e as práticas de cultivo em outros países, especialmente nos EUA, que são os principais fornecedores dessa commodity. Além disso, a busca por alternativas sustentáveis de ração pode promover inovações em outras regiões, à medida que os produtores tentam se adaptar às novas demandas do mercado.

O avanço nas práticas agrícolas sustentáveis da China pode ainda abrir oportunidades para o desenvolvimento de novas tecnologias e métodos de cultivo em outros países. Por exemplo, o uso de proteínas alternativas e as práticas de reciclagem de resíduos alimentares podem ser explorados mais amplamente, beneficiando tanto a economia local quanto o meio ambiente.

Pontos Críticos para o Futuro da Alimentação Animal

Enquanto a China avança em suas mudanças, algumas questões permanecem. A aceitação e a eficácia das novas formas de proteína na dieta animal deverão ser testadas. Além disso, a transição para práticas mais sustentáveis pode enfrentar resistência por parte dos produtores estabelecidos, que podem estar relutantes em mudar métodos tradicionais que têm funcionado por anos.

Outra consideração importante é o impacto ambiental das novas alternativas em comparação com os grãos tradicionais. Garantir que essas inovações sejam realmente mais sustentáveis será crucial para o sucesso do plano. Portanto, a percepção do consumidor final também será um fator determinante no sucesso da implementação dessas novas práticas.

O foco na produção animal sustentável e na redução do uso de grãos não é apenas uma questão interna da China, mas uma tendência que pode moldar o futuro da agricultura em todo o mundo. A construção de um sistema alimentar mais autossuficiente e eficiente pode servir como modelo para outros países que enfrentam desafios semelhantes de dependência de importações e sustentabilidade alimentar, o que pode, eventualmente, levar a colaborações internacionais focadas em práticas agrícolas inovadoras.

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