A Agência Nacional de Telecomunicações, conhecida como Anatel, intensificou suas ações para combater a venda de produtos não homologados no Brasil. Recentemente, a agência anunciou que lacrou mais de 3.300 equipamentos irregulares em centros de distribuição de grandes plataformas de e-commerce, como Amazon, Mercado Livre e Shopee. Essa ação ocorreu em resposta a preocupações crescentes com a segurança dos consumidores e a necessidade de garantir que os produtos comercializados estejam dentro dos padrões de qualidade exigidos pela legislação.
O bloqueio dos produtos ocorreu em um período específico, entre os dias 26 e 27 de maio de 2025, abrangendo operações em oito armazéns localizados em seis estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais, Goiás e Bahia. Os produtos lacrados incluem uma variedade de dispositivos como drones, celulares, TV boxes e baterias, que, segundo a Anatel, podem representar riscos significativos aos consumidores caso não tenham passado pelo processo de homologação apropriado.
A importância da homologação de produtos
De acordo com a Anatel, a homologação é um passo crucial que visa assegurar a segurança e a conformidade dos produtos com os padrões técnicos exigidos. Produtos que não são homologados podem acarretar sérios riscos, como:
- Incidentes de superaquecimento;
- Explosões;
- Incêndios;
- Vazamentos tóxicos;
- Interferências no sinal;
- Falhas de cibersegurança e privacidade.
Esses riscos ressaltam a necessidade de um controle rigoroso sobre a venda de produtos eletrônicos, especialmente em um cenário onde as plataformas de e-commerce estão cada vez mais populares entre os consumidores brasileiros.
Colaboração do varejo é essencial
Alexandre Freire, conselheiro da Anatel e líder da campanha contra a pirataria, enfatizou a importância de uma colaboração mais estreita entre a agência reguladora e as empresas de varejo. Ele reforçou que as plataformas têm a responsabilidade de garantir que os produtos à venda estejam homologados. “Combater a venda de equipamentos não conformes exige compromisso e ação concreta das plataformas”, destacou Freire.
Essa declaração ocorre em um contexto onde a Anatel já tomou medidas judiciais para bloquear as operações da Amazon e do Mercado Livre, alegando que as empresas ainda comercializam produtos não certificados, mesmo após os esforços realizados para evitar tais práticas.
Posicionamento das plataformas de venda
As grandes plataformas de e-commerce também foram rápidas em se pronunciar. O Mercado Livre, em uma nota enviada ao Tecnoblog, afirmou que desde julho de 2024, a Anatel considerou a empresa como “conforme”, o que significa que ela está alinhada às expectativas da agência em relação à venda de produtos homologados. A plataforma garante que não aceitará anúncios irregulares.
Da mesma forma, a Amazon reiterou seu compromisso em não comercializar equipamentos que não estejam dentro das exigências legais, assegurando que todos os produtos oferecidos por terceiros (sellers) estejam devidamente licenciados e homologados.
A posição da Shopee e as práticas adotadas
Por sua vez, a Shopee também se posicionou quanto à venda de itens não homologados. A empresa declarou que investiga possíveis infrações assim que são identificadas, tomando as medidas cabíveis de acordo com seus termos de uso. Além disso, a Shopee implementou a obrigatoriedade do preenchimento dos códigos de homologação para celulares e TV boxes por todos os vendedores, visando adequar-se às leis pertinentes e coibir a venda de produtos irregulares.
A repercussão dessas ações
As ações da Anatel contra as irregularidades em produtos eletrônicos têm gerado discussões em vários níveis, incluindo a relação entre regulamentação e o mercado digital. À medida que as plataformas de venda se expandem, é imperativo que a segurança do consumidor continue sendo uma prioridade.
Esses acontecimentos refletem uma tendência de maior vigilância por parte das agências reguladoras e um chamado para que as empresas do varejo fortalecimento suas práticas de monitoramento em um mercado cada vez mais dinâmico e digital.
O futuro das regulamentações e a responsabilidade dos varejistas
Com o aumento da venda de produtos online e a diversidade de equipamentos disponíveis, o futuro das regulamentações na área de telecomunicações e eletrônicos será cada vez mais complexo. As plataformas de e-commerce precisam estar preparadas para adaptar suas políticas e práticas de conformidade, garantindo que estejam sempre um passo à frente em relação às exigências legais e às expectativas dos consumidores.
Dicas para consumidores ao comprar online
Ao realizar compras online, é essencial que os consumidores fiquem atentos a alguns pontos fundamental:
- Verificar se o produto está homologado e se há o selo de certificação;
- Consultar a reputação do vendedor;
- Ler avaliações de outros consumidores;
- Desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
- Consultar canais de reclamação para checar a idoneidade da plataforma.
Essas práticas podem ajudar a minimizar riscos ao realizar compras e garantir uma experiência mais segura e satisfatória ao consumidor.
Perspectivas futuras em telecomunicações
O segmento de telecomunicações e eletrônicos segue em constante evolução. À medida que novas tecnologias emergem, como a 5G e a Internet das Coisas (IoT), a necessidade de regulamentações eficazes e da homologação de produtos se torna ainda mais crítica. A Anatel, assim como outras agências reguladoras ao redor do mundo, terá o desafio de atualizar suas normas e processos para acompanhar essas mudanças, sempre priorizando a segurança do consumidor.
As iniciativas da Anatel sinalizam um compromisso ativo em garantir um mercado mais seguro e transparente, em que a colaboração entre reguladores e plataformas de vendas se torna uma peça chave para o sucesso.

