A Ascensão da Bilionária Australiana no Mercado de Terras Raras

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Fora da China, a investidora mais influente no mundo dos elementos de terras raras é, sem dúvida, Gina Rinehart, a mulher mais rica da Austrália. Essas terras podem representar apenas uma pequena parte de sua fortuna mineradora de US$ 30 bilhões (R$ 170,1 bilhões), mas Rinehart, por meio da holding familiar Hancock Prospecting, adquiriu participações em empresas líderes de terras raras fora da China, incluindo aquelas que buscam expandir suas operações nos Estados Unidos.

Sua carteira, avaliada em US$ 800 milhões (R$ 4,536 bilhões), inclui uma participação de 8,5%, no valor de US$ 317 milhões (R$ 1,796 bilhão), na MP Materials (NYSE:MP), que opera a única mina ativa de terras raras nos Estados Unidos. A MP também está prestes a concluir a construção de uma planta em Fort Worth que produzirá ímãs de terras raras de alta potência para a General Motors.

Rinehart também possui 8,2% – ou US$ 430 milhões (R$ 2,438 bilhões) – da Lynas Rare Earths (ASX:LYC), que explora o depósito de Mount Weld, na Austrália. A Lynas abriu recentemente uma planta de processamento na Malásia e, com apoio do Departamento de Defesa dos EUA, está construindo uma unidade próxima a Corpus Christi, no Texas.

Entre participações menores estão 10% da Arafura (ASX:ARU), que conta com apoio governamental para seu projeto de mineração Nolans, próximo a Alice Springs, na Austrália; e 6% da Brazilian Rare Earths (ASX:BRE), outra empresa australiana com descobertas promissoras no nordeste do Brasil.

Trump X Terras Raras

Rinehart não quer apenas observar uma carteira de investimentos, mas tem defendido a racionalização do setor para competir melhor com a China. No ano passado, ela apoiou, sem sucesso, conversas de fusão entre a Lynas e a MP. Nas últimas semanas, ambas as empresas anunciaram que, diante da incerteza quanto às tarifas impostas por Trump, suspenderiam o envio de concentrados de terras raras para processamento na China e, em vez disso, os estocariam. “Vender esses materiais críticos sob tarifas de 125% não é comercialmente racional nem está alinhado com o interesse nacional”, escreveu Matt Sloustcher, porta-voz da MP, em um e-mail na semana passada.

Em janeiro, o presidente Trump assinou a Lei de Emergência Energética, que visa acelerar a capacidade de processamento de terras raras nos Estados Unidos para combater o quase monopólio da China. Na semana passada, o secretário do Interior, Doug Burgum, anunciou o programa Fast-41, que apoia 12 projetos de mineração de cobre, lítio, antimônio e outros minerais críticos.

Rinehart, amiga de Trump, esteve presente tanto na festa da noite da eleição em Mar-a-Lago quanto na cerimônia de posse. Segundo informações, ela pagou US$ 100 milhões (R$ 567 milhões) em 2023 por duas propriedades próximas à de Trump em Palm Beach.

Ela já repreendeu os australianos, dizendo que deveriam ser mais parecidos com Trump e pensar em grande escala. Filha única do pioneiro do minério de ferro Lang Hancock, que faleceu em 1992, Rinehart assumiu e reconstruiu a debilitada Hancock Prospecting, tornando-se presidente em 1992. Seu maior ativo é uma participação de 70% no complexo de minas Roy Hill, na região de Pilbara, na Austrália Ocidental, que custou US$ 8 bilhões (R$ 45,36 bilhões) para ser desenvolvido e pagou à Hancock US$ 1,8 bilhão (R$ 10,206 bilhões) em royalties apenas no ano passado.

A MP Materials, principal empresa dos Estados Unidos no setor de terras raras, tem sido amplamente coberta, assim como outras mineradoras americanas, incluindo a empresa de carvão metalúrgico Ramaco (Nasdaq:METC), que está nos estágios iniciais de extração de terras raras de leitos de carvão em Wyoming.

A Lynas Rare Earths, por outro lado, é menos conhecida. A empresa australiana surgiu depois que a China, em 2010, impôs um embargo de exportação de terras raras ao Japão, em resposta a uma disputa sobre águas permitidas para um barco de pesca. Esse evento foi a primeira vez que as terras raras foram “armadas”, segundo Gracelin Baskaran, do Critical Minerals Security Program do Center for Strategic and International Studies, durante um painel de discussão recente. Desde então, os Estados Unidos têm sido lentos em diversificar suas fontes de fornecimento, e a inação tem dado à China uma moeda de troca poderosa nas negociações.

Expandindo a Produção

Reconhecendo a necessidade vital de garantir fornecimento confiável, o conglomerado japonês Sumitomo apoiou o desenvolvimento da Lynas. Esta, por sua vez, investiu na Austrália e hoje fornece 60% das terras raras consumidas pelos fabricantes japoneses.

Em 2019, a Lynas anunciou a construção de uma planta para refinar parcialmente o minério bruto de terras raras na cidade australiana de Kalgoorlie. A planta foi inaugurada no final de 2024, ao custo de US$ 800 milhões (R$ 4,536 bilhões). A produção de Kalgoorlie é enviada para a planta de “rachaduras e lixiviação” da Lynas em Kuantan, na Malásia, que está aumentando a produção de óxidos de disprósio e térbio.

A produção dessa unidade abastecerá a planta do Texas, atualmente em desenvolvimento em Seadrift, Texas, em um terreno de 149 acres adjacente a uma planta química operada há mais de 60 anos pela Union Carbide e Dow Chemical.

De acordo com os planos iniciais do projeto, publicados pelo Departamento de Defesa, que está fornecendo US$ 300 milhões (R$ 1,701 bilhão) em subsídios, a planta de Seadrift contará com 75 tanques contendo entre 700 e 80 mil galões de soluções. A Lynas fará borbulhar uma pasta de terras raras com ácido sulfúrico, convertendo fosfatos de terras raras em sulfatos e lixiviando impurezas como tório e fosfogesso, para obter térbio e disprósio. O local também contará com uma torre de resfriamento de 18 metros de altura e uma lagoa de retenção de 1 hectare.

A Lynas informa que, com o tempo, pretende comercializar cerca de 12 mil toneladas por ano de NdPr (Neodímio-Praseodímio) pesado processado a partir de Mount Weld, o que representa cerca de 15% da demanda mundial. No último ano, a Lynas registrou um lucro líquido de U$ 85 milhões (R$ 481,95 milhões) sobre uma receita de A$ 460 milhões (R$ 2,606 bilhões). A CEO Amanda Lacaze conseguiu recuperar a Lynas da beira da falência, em 2015, alcançando um valor de mercado de US$ 5,3 bilhões (R$ 30,051 bilhões). As ações da Lynas valorizaram 37% em um ano.

A Concorrência

Recentemente, Lacaze ironizou a ideia de Trump firmar um acordo com a Ucrânia envolvendo terras raras, destacando “quanto tempo leva entre ter a ideia vaga de ‘Não seria ótimo ter terras raras de X?’ e realmente ter o produto separado, ensacado, esperando um cliente para comprá-lo.”

Há um grande risco em competir com um quase monopolista como a China, que consolidou a indústria global ao praticar preços inferiores aos da concorrência. Em 2013, a divisão de fabricação de ímãs da Hitachi construiu uma fábrica de metais na Carolina do Norte com apoio do governo Obama. No entanto, devido aos custos mais altos, a unidade não conseguiu competir com os fornecedores chineses que reduziram os preços a níveis imbatíveis. A Hitachi vendeu a fábrica em 2020.

Por isso, o apoio do Departamento de Defesa dos EUA (DoD) é crucial. O Pentágono precisa garantir fornecimento suficiente de metais de terras raras refinados para incorporar em diversos sistemas de armamento. Apenas a caixa de engrenagens de uma turbina eólica exige 100 kg de ímãs de terras raras. Até que as plantas da MP e da Lynas estejam em plena operação, os Estados Unidos não terão capacidade doméstica para refinar terras raras pesadas.

Não é de se surpreender que políticos australianos estejam pedindo a criação de uma reserva nacional de terras raras; um estoque estratégico serviria como uma excelente moeda de troca nas negociações envolvendo tarifas e fortaleceria o sucesso de longo prazo da aposta de US$ 800 milhões (R$ 4,536 bilhões) de Gina Rinehart no setor.

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