Seis estratégias para melhorar entrevistas de desligamento

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O processo de desligamento é delicado, afinal, é o fim da relação entre empregado e seu empregador. Também é uma importante fonte de aprendizado para a empresa. Ao entender os motivos que levam à demissão, especialmente por meio da entrevista de desligamento, é possível promover ajustes pontuais e integrar melhores políticas de retenção de talentos.

Assim sendo, a entrevista de desligamento é uma ferramenta ímpar. Mas existem questões que precisam ser esclarecidas: como fazer uma boa entrevista? O que deve ser considerado? Todo talento desligado deve ser entrevistado? É o que esclarecemos nos próximos tópicos!

O que é entrevista de desligamento?

É natural que novos profissionais entrem na empresa e outros, mais antigos, saiam. Esse processo faz da construção da organização algo constante, que está sempre acontecendo. Os motivos para o desligamento podem ser diversos, por exemplo, uma aposentadoria.

Nos casos em que o profissional pede para sair da empresa, todavia, é preciso entender mais a fundo o que motivou sua decisão. Ele está insatisfeito com o superior imediato? Seu local de trabalho está inadequado? O salário está baixo? São muitas as possibilidades.

Quando um empregado simplesmente deixa a empresa e você não sabe o motivo, é possível que esteja acontecendo algo errado, podendo levar outros talentos a tomar a mesma decisão. Se seus talentos estão deixando o emprego, logicamente isso pode vir a prejudicar o negócio.

Para averiguar os motivos pelos quais um empregado deixa a empresa, então, é comum que se realize uma entrevista de desligamento. Seu objetivo como gestor é entender o que está acontecendo, o que pode ser melhorado e ter uma visão mais ampla da experiência do talento na empresa.

Na verdade, essa entrevista pode ser feita com qualquer empregado que está deixando o negócio, até com aqueles que foram demitidos. Mas certamente faz mais sentido quando aplicada aos profissionais que pediram para sair, pois eles geralmente têm mais a dizer.

Como realizar uma ótima entrevista de desligamento?

Como dito, é um momento delicado e requer bastante atenção da parte do entrevistador. Para ambas as partes, esse é o fim de um ciclo, o que quase sempre é difícil. Por isso, confira algumas dicas!

1. Lembre-se que não é obrigação do empregado

Primeiro, lembre-se que não é algo obrigatório. Nenhum empregado tem o dever de explicar porque está se demitindo, nem oferecer um feedback sobre seu trabalho. Por esse motivo, é importante ser educado e pedir ajuda ao empregado para entender o que está acontecendo.

Você não vai convocar o empregado ou intimá-lo a comparecer à entrevista. Pelo contrário, peça ajuda, diga que quer melhorar e integrar melhores processos de gestão de pessoas, e que ele pode ajudar bastante. Em seguida, pergunte se pode marcar um horário para conversar melhor.

2. Tome cuidado com a rigidez

O processo de desligamento já é muito delicado e não é necessário torná-lo ainda mais desconfortável com uma entrevista rígida. Portanto, cuidado para não estabelecer regras ou deixar o momento muito mecânico, como se houvesse um protocolo formal a ser seguido.

Demonstre o lado mais humano da empresa, demonstre preocupação para com o empregado e extraia as informações desejadas aos poucos, sem muita pressa. Por mais difícil que possa parecer, o objetivo é criar um ambiente leve, onde o funcionário se sinta livre para falar.

3. Escolha o momento ideal

Qual é o melhor momento para a entrevista? É uma questão complexa. Veja, se for muito cedo, logo após o pedido de demissão, é possível que o funcionário não fale tudo o que tem a dizer, pois ainda tem o período de aviso prévio e tem medo que a situação fique estranha.

Por outro lado, se for tarde demais, você pode estar perdendo o calor do momento e o funcionário pode optar por respostas cordiais para não deixar uma última imagem ruim. Então, busque um meio-termo, não marque a entrevista para tão cedo, nem para tão tarde.

4. Monte uma entrevista semiestruturada

Há três modelos de entrevista: a estruturada, que envolve questões previamente definidas, a não-estruturada, que é livre, com perguntas que surgem na hora, e a semiestruturada, que é um misto das duas primeiras. Esse terceiro modelo está entre a rigidez e a flexibilidade.

Para adotar uma pesquisa semiestruturada, defina alguns pontos que devem ser abordados ao longo da entrevista. Não é preciso formular questões, apenas definir os pontos que precisam ser considerados. Desse modo, você será eficaz e flexível na entrevista.

5. Ouça o colaborador que está saindo

Por fim, ouça o profissional que está saindo da empresa. Parece redundante, até porque é uma entrevista, mas o fato é que muitos entrevistadores não dão a devida atenção ao momento. É preciso ouvir no intuito de entender, não só para cumprir uma cerimônia.

Para tanto, aprofunde-se nas perguntas, questione como o funcionário se sente, tente entender o seu ponto de vista, depois sintetize a resposta e pergunte se entendeu bem. Não tenha pressa, o objetivo é ir fundo e compreender o que pode otimizar a gestão de pessoas.

Quais cuidados devem ser tomados?

Primeiro, tenha muito cuidado para não constranger o colaborador. Isso pode prejudicar a entrevista e render problemas graves à empresa, até mesmo um processo judicial. Se o empregado se sente constrangido ou ofendido, pode querer se afastar ainda mais do empreendimento.

Outro ponto importante é prestar atenção para não entrar em assuntos que não dizem respeito à empresa. Se o empregado passa por problemas familiares, por exemplo, cuidado para não ser muito intrusivo ou curioso. Afinal, isso não beneficia a empresa e pode até agravar a situação.

O último cuidado, talvez o mais importante, envolve adotar uma política de confidencialidade. O que é dito na entrevista, especialmente se envolve questões pessoais do empregado, deve ser tratado com sigilo, compartilhando o conteúdo apenas com quem realmente importa.

Como você pode observar, a entrevista de desligamento deve ser muito bem conduzida. É preciso ter tato para lidar com o empregado, evitar o excesso de rigidez, encontrar o momento certo e ouvir no intuito de entender. Além de tudo isso, é necessário ter atenção para não ofender ou constranger o funcionário, adotando uma política de confidencialidade.

E aí, gostou do artigo? Ficou com alguma dúvida ou quer compartilhar sua experiência sobre o assunto? Aproveite para deixar um comentário!

Como Utilizar as Informações da Entrevista de Desligamento?

Após realizar a entrevista de desligamento, é fundamental que a empresa utilize as informações coletadas de maneira construtiva. Muitas organizações falham em agir sobre os resultados obtidos, o que pode levar a um ciclo repetitivo de insatisfação entre os colaboradores.

Por isso, analise os dados e crie um relatório que identifique padrões. Por exemplo, se várias entrevistas apontam insatisfação com a liderança ou com a carga de trabalho, isso deve ser motivo para revisão das práticas de gestão. Identificar temas recorrentes pode direcionar melhor as futuras intervenções na cultura corporativa.

Além disso, compartilhe os resultados de maneira apropriada com os gestores responsáveis. No entanto, mantenha a confidencialidade das informações pessoais e não exponha a identidade dos colaboradores que se desligaram. A transparência com a liderança pode auxiliar na construção de um ambiente de trabalho mais saudável.

Implemente Ações Proativas

As informações extraídas da entrevista de desligamento devem servir de insumo para a criação de ações proativas. As soluções podem incluir treinamentos para líderes, revisão de políticas de remuneração ou até mesmo mudanças na cultura organizacional.

Por exemplo, se muitos colaboradores mencionam que a carga de trabalho é excessiva, uma solução pode ser a reavaliação da distribuição de tarefas. Também pode ser o momento ideal para oferecer programas de bem-estar que ajudem a melhorar a satisfação no dia a dia.

Realize Seguimentos

Outra prática interessante é realizar seguimentos após um tempo da entrevista. Pergunte aos colaboradores que permanecem na organização sobre as mudanças implementadas e como a percepção deles evoluiu. Isso não só mostra um compromisso com a melhoria contínua, mas também engaja aqueles que continuam na equipe.

O processo deve ser algo vivo e dinâmico. As entrevistas de desligamento não podem ser vistas apenas como um rito final, mas sim como uma oportunidade de aprendizado e crescimento para a empresa.

Quais Outros Métodos Podem Complementar a Entrevista de Desligamento?

A entrevista de desligamento é uma ferramenta valiosa, mas pode ser complementada com outras práticas para uma visão mais abrangente sobre o clima organizacional e a satisfação dos colaboradores.

  • Pesquisas de Clima Organizacional: São fundamentais para medir a satisfação dos colaboradores ao longo do tempo. Por meio delas, é possível captar o sentimento coletivo da equipe.
  • Feedbacks Regulares: Estabelecer uma cultura de feedback contínuo permite que os colaboradores se sintam ouvidos e valorizados, minimizando os problemas antes que se tornem motivos para desligamento.
  • Reuniões de Equipe: Criar um ambiente onde todos se sintam à vontade para discutir problemas e soluções contribui para a formação de um time mais unido.

Essas práticas em conjunto com a entrevista de desligamento são essenciais para fortalecer a organização e criar um ambiente onde os colaboradores desejem permanecer. As mudanças implementadas poderão, a longo prazo, reduzir a taxa de rotatividade e aumentar a satisfação geral.

Agora que você já conhece as práticas adequadas para conduzir uma entrevista de desligamento, lembre-se de que cada caso é único. Adaptar sua abordagem ao contexto e às necessidades individuais de cada colaborador é o caminho para o sucesso na retenção de talentos e melhoria contínua da empresa.

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