Os produtores de café nas renomadas regiões de arábica de Minas Gerais e São Paulo estão vivendo um momento de apreensão em relação à safra 2025/26. De acordo com análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgadas recentemente, as expectativas em torno do tamanho dos grãos não se alinham com o que era inicialmente aguardado. O que se esperava era um percentual “expressivo” de frutos maiores, porém a realidade parece ser diferente.
O Cepea, vinculado à Esalq/USP, ressalta que as chuvas que ocorreram entre fevereiro e março foram concentradas em poucos dias. Essa condição climática impactou diretamente um período crucial para a finalização do enchimento dos grãos de café arábica, afetando a qualidade e a quantidade que os produtores podem esperar.
Tamanhos dos Grãos e Expectativas de Colheita
Com a chegada de abril, embora as chuvas tenham se mostrado mais frequentes em várias regiões, a preocupação dos cafeicultores persiste. Eles estão atentos ao processo de enchimento dos grãos e, principalmente, à maturação. A expectativa para esta safra era de que houvesse um aumento considerável na proporção de grãos discriminados como peneira 17/18, um parâmetro que indica qualidade superior. No entanto, muitos produtores relatam que os grãos ainda não atingiram o tamanho ideal.
A colheita do café arábica, que é a variedade predominante no Brasil, está prevista para iniciar em meados de maio em Minas Gerais. Este estado é responsável por cerca de 70% da produção brasileira dessa variedade, consolidando ainda mais o país como o maior produtor e exportador mundial de café.
Os dados do Cepea mostram que apenas em janeiro deste ano ocorreram precipitações consideráveis, sendo 216,6 milímetros em Machado, no Sul de Minas Gerais. Já em fevereiro e março, as chuvas foram de 89,4 mm e 59,4 mm, respectivamente. Em abril, até o dia 21, o total foi de 55,4 mm. Essa irregularidade nas chuvas tem gerado preocupações sobre a produtividade e a qualidade dos grãos.
A Situação do Café Canéfora
Quanto ao café canéfora, também conhecido como robusta ou conilon, a situação no Espírito Santo, principal produtor da variedade, é semelhante à observada para o arábica. Em Linhares, a cidade que concentra uma grande parte da produção de conilon, os dados do Inmet indicam que em janeiro choveu 195,4 mm. Contudo, em fevereiro, foram apenas 13,8 mm e em março, 88,4 mm. Neste mês de abril, até o momento, já choveu 106,2 mm.
A discrepância mensal nos volumes de chuva é uma preocupação crescente, pois pode afetar a safra de robusta de maneira negativa. No entanto, alguns analistas ainda vislumbram a possibilidade de uma produção recorde de canéforas em 2025. O Cepea também ressaltou que um pequeno volume de café canéfora já começou a ser colhido no Espírito Santo, com a expectativa de que o ritmo das atividades de campo aumente a partir do final de abril.
Uma queda gradual nas temperaturas no Espírito Santo tem deixado os grãos bastante verdes. Essa condição representa mais um fator que pode afetar negativamente a qualidade da safra 2025/26, uma vez que a colheita de grãos muito verdes pode resultar em uma bebida de qualidade inferior.
Desafios e Oportunidades no Mercado
Com todas essas variáveis em jogo, o mercado de café brasileiro se vê diante de um cenário desafiador, mas também repleto de oportunidades. Investir em técnicas agrícolas que melhorem o aproveitamento da água e a adubação na fase de enchimento dos grãos pode ser uma estratégia eficaz para mitigar os impactos das variações climáticas. Além disso, uma gestão eficiente das lavouras e a adoção de tecnologias podem ajudar os produtores a alcançar melhores resultados, mesmo em anos incertos.
Os cafeicultores também estão buscando alternativas como o cultivo de variedades mais resistentes às intempéries. A diversificação das culturas pode ser uma estratégia para a sustentabilidade e a inovação no setor cafeeiro. O apoio governamental, através de incentivos e linhas de crédito favoráveis, pode ser um fator decisivo para ajudar os produtores a superar os desafios impostos pela natureza e pela economia.
Embora o setor enfrente incertezas no presente, a união dos produtores, a inovação e a aplicação de novas tecnologias são fundamentais para que o Brasil continue a se destacar no mercado global de café. As estratégias de adaptação às mudanças climáticas e a busca por práticas sustentáveis podem assegurar não apenas a sobrevivência, mas também o crescimento do café, uma das principais culturas econômicas do país.
A Importância do Café no Brasil
O café é mais do que uma simples commodity no Brasil; é parte integral da cultura e da economia do país. Com milhares de famílias envolvidas na produção, o impacto do clima e das condições de cultivo estão diretamente ligados ao bem-estar social e econômico destas comunidades. Portanto, garantir a qualidade e a produtividade do café deve ser uma prioridade, não apenas para os produtores, mas para toda a nação.
Investindo em tecnologias de manejo, com uma preocupação em práticas agrícolas sustentáveis, o Brasil pode continuar a ser um líder mundial na produção de café de qualidade, satisfazendo a demanda global e assegurando a dignidade dos trabalhadores do setor.

