O TikTok, uma das plataformas sociais mais populares do momento, anunciou novas regras que visam proteger seus usuários mais jovens. Recentemente, a rede iniciou uma iniciativa que restringe o uso de filtros de “embelezamento” para menores de 18 anos. Essa iniciativa surge em um contexto cada vez mais complexo, onde a saúde mental dos adolescentes é uma preocupação crescente, especialmente no que diz respeito à sua presença nas redes sociais.
Os novos regulamentos, divulgados em um post oficial direcionado ao mercado europeu, proíbem que os usuários mais jovens utilizem filtros que alterem significativamente sua aparência. Além disso, a plataforma se comprometeu a fornecer explicações claras sobre como esses filtros podem impactar a imagem que os adolescentes têm de si mesmos. Os criadores responsáveis por esses filtros também receberão avisos sobre as possíveis repercussões negativas das suas criações.
Essas medidas foram formuladas a partir de um relatório da organização Internet Matters, que trouxe à tona dados importantes obtidos através da interação com pais e adolescentes. A pesquisa revelou que existem diferenças críticas entre filtros de aparência divertida e os que impactam a autoimagem, como aqueles que alteram características faciais. Este segundo grupo de filtros é considerado problemático, pois pode distorcer a percepção que os jovens têm de si mesmos.
Mudanças nos Filtros de Embelezamento
A decisão do TikTok de implementar essas regras rigorosas reflete uma crescente preocupação com a saúde mental dos jovens. O uso excessivo de filtros de beleza, que podem alterar drasticamente a aparência das pessoas, pode contribuir para uma série de problemas psicológicos, como baixa autoestima e distúrbios de imagem corporal. Estudos demonstram que o uso constante de tais filtros pode gerar uma pressão social intensa, levando muitos adolescentes a se sentirem inadequados em relação à sua aparência natural.
Além das restrições relacionadas aos filtros, o TikTok está desenvolvendo tecnologias de aprendizado de máquina com a finalidade de proteger ainda mais os menores de idade. A plataforma está testando métodos que visam identificar contas que pertençam a usuários abaixo da faixa etária mínima de 13 anos. Essa idade é considerada um padrão na maioria das redes sociais, onde a presença do público jovem é monitorada com rigor.
Essas inovações tecnológicas contribuirão para a identificação eficiente de usuários que não atendem aos critérios de idade, permitindo que moderadores qualificados revisem essas contas. Caso existam erros na identificação, será possível que os responsáveis apelarem contra a decisão, assegurando uma abordagem justa.
No Brasil, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) está conduzindo uma investigação em relação ao TikTok, focando na coleta e tratamento de dados de menores. A suspeita é que a plataforma estaria realizando essas ações de maneira inadequada, sem a devida autorização. Como resultado, a ANPD já instituiu uma série de exigências, incluindo a verificação de idade mais aprimorada, além de proibir o acesso ao feed do TikTok sem que o usuário se registre primeiro.
A direção da plataforma enfatizou em seus comunicados a intenção de colaborar com a ANPD e com outros parceiros para resolver as questões preliminares e aprimorar os mecanismos que envolvem a segurança do usuário.
Debate sobre Saúde Mental nas Redes Sociais
O impacto das redes sociais na saúde mental dos adolescentes tem sido um assunto amplamente debatido nos últimos anos. Com vários estudos revelando conexões entre o uso excessivo das redes sociais e o desenvolvimento de problemas psicológicos, essas plataformas, frequentemente, se tornam alvo de críticas.
A Meta, por exemplo, enfrentou sérias acusações após a divulgação de pesquisas internas que sugerem que o Instagram pode causar ansiedade e depressão, particularmente entre garotas adolescentes. Esses dados geraram um clamor para a implementação de advertências de saúde em plataformas sociais, semelhantes às que aparecem nas embalagens de cigarros.
Nos Estados Unidos, considerações semelhantes têm gerado discussões sobre a necessidade de um aviso aos usuários sobre os riscos associados ao uso excessivo das redes sociais. A Austrália está liderando uma proposta ainda mais drástica, que visa impedir que menores de 16 anos acessem plataformas como TikTok, Instagram e outras.
No entanto, o debate sobre o impacto das redes sociais não é unânime. A Electronic Frontier Foundation, uma organização que defende os direitos digitais, argumenta que essas plataformas não são apenas prejudiciais, mas também podem desempenhar um papel positivo na vida de crianças e adolescentes. Para muitos, as redes sociais oferecem uma chance de conexão com outras pessoas, ajudando a superar sentimentos de isolamento e ansiedade.
Esse embate entre os benefícios e os malefícios das redes sociais se torna cada vez mais relevante, especialmente à luz das recentes mudanças anunciadas pelo TikTok e outras plataformas sociais. A capacidade da tecnologia de se adaptar às preocupações sociais pode determinar a forma como as plataformas interagem com seus usuários e como os mais jovens podem participar desses ambientes virtuais de maneira mais segura.

