O desafio de transformar a realidade ao nosso redor passa, muitas vezes, pela mudança de atitudes. Esse conceito se aplica tanto à vida profissional quanto à pessoal, e é fundamental para alcançar um equilíbrio saudável. Como posso gerenciar e colocar em prática este conceito? Esse é um questionamento que muitos gestores e colaboradores se fazem ao longo da carreira.
A capacidade de deixar um legado é uma das características mais impactantes de um líder. Devemos, portanto, buscar transformar ciclos viciosos em ciclos virtuosos. Isso significa romper com hábitos prejudiciais e substituí-los por práticas produtivas. Mas como identificar esses ciclos e efetivamente mudá-los?
Na minha trajetória, enfrentei um período desafiador ao trabalhar em uma multinacional. A rotina exigia de mim longas horas, chegando a doze ou quinze por dia, nos finais de semana e feriados. Esse cenário se agravou em uma véspera de Natal, quando eu deveria sair ao meio-dia, mas, após uma mudança de planos, fui obrigado a permanecer. Já havia compromissos familiares e, em um ato de coragem, decidi sair na hora combinada, mesmo ciente de que isso poderia custar meu emprego. E, de fato, fui demitido.
Este episódio foi uma lição valiosa sobre a importância de manter nossos valores. Para mim, a família sempre foi prioridade. A escolha entre o trabalho e esse valor fundamental foi desafiadora, mas me proporcionou paz de espírito e integridade. Essa experiência destaca que seguir princípios pessoais pode ser a decisão mais difícil, porém, é a única que garante um sucesso duradouro.
Quando falamos de liderança, um aspecto crucial é a confiança. Muitos gestores retêm responsabilidades acreditando serem os únicos capazes de cumpri-las. Este comportamento resulta em estresse, horas extras e baixa qualidade de vida. É fundamental criar um ambiente de confiança. Uma solução é verificar se os membros da equipe possuem caráter e competência, características essenciais para o sucesso da organização.
Para exemplificar, um líder não pode confiar em um colaborador apenas por sua boa índole. Se a competência não acompanhar, a confiança será comprometida. Por outro lado, um funcionário altamente competente, mas que não se alinha aos valores da organização, também não conseguirá contribuir de forma positiva. Já enfrentei a difícil tarefa de dispensar um funcionário eficiente, mas que prejudicava o ambiente de trabalho, trazendo fofocas e intrigas. Este é um exemplo claro da coragem necessária para fazer escolhas difíceis, mas necessárias.
Quando uma equipe possui membros com caráter e competência, a confiança é naturalmente estabelecida. Os líderes podem delegar tarefas e guiá-los em direção aos objetivos. Uma organização é feita de pessoas, e é com a colaboração delas que se alcançam resultados.
Na minha experiência como presidente de uma consultoria, realizo reuniões semanais com os gestores. Essas reuniões focam na execução dos processos e análises das promessas feitas anteriormente. Mantenho o grupo pequeno, com no máximo oito participantes, para garantir que haja espaço para discussão genuína.
Além disso, é crucial que todos os membros da equipe estejam alinhados com as metas da organização. Pesquisas indicam que apenas 15% dos funcionários conheciam as metas de suas empresas. Desses, apenas 40% sabiam como agir em relação a elas. Essa falta de clareza e comprometimento prejudica o desempenho organizacional.
Algumas situações estão além do controle dos líderes, como a variação do índice do dólar. Os gestores devem encarar esses imprevistos e se adaptar às circunstâncias. Contudo, também existem oportunidades inesperadas que podem surgir. Um caso típico é quando uma empresa é convidada a representar outra em um novo mercado. É um imprevisto que requer decisão e muitas vezes, é necessário declinar para permanecer focado no que já estava sendo desenvolvido.
Um ditado que gosto de recordar é: “Quem muito abraça, pouco aperta.” Essa frase reflete a importância de priorizar o que realmente é necessário. Se tentarmos fazer tudo de uma vez, podemos acabar não concluindo bem as tarefas já existentes.
Outra consideração vital é o uso do planejamento como ferramenta central para atingir resultados bem-sucedidos. Usar uma agenda, como a metodologia da FranklinCovey, por exemplo, tem sido transformador em minha vida. Há mais de treze anos, essa prática me permite equilibrar melhor as demandas profissionais e pessoais, evitando que o que é importante se torne uma urgência.
Além dos processos, a responsabilidade do líder inclui a resolução de problemas. Infelizmente, a visão comumente aceita no Brasil é a de que presidentes devem solucionar tudo. Isso não corresponde à realidade, já que um verdadeiro líder reconhece que os resultados dependem do esforço coletivo.
Todos em uma organização desempenham um papel relevante. A pressão em torno da figura do líder muitas vezes é cruel, porém é fundamental que tanto líderes quanto colaboradores tenham consciência do trabalho que realizam para o sucesso conjunto.
Atuando em negócios que promovem o aprendizado sobre produtividade e gerenciamento de tempo, sinto um senso de “vigilância”. O que orientamos e aplicamos em nossos projetos é esperado também de nossos colegas. Essa expectativa pode ser estressante, mas, de certa forma, é uma maneira de me manter no caminho certo, em busca de uma liderança eficaz e ética.

