Cresce o Número de Crianças com Celular Próprio no Brasil até os 12 Anos

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O uso de smartphones entre crianças é um tema que desperta discussões acaloradas. No Brasil, a recente pesquisa realizada pelo Mobile Time em parceria com a Opinion Box aponta que 49% das crianças entre zero e 12 anos têm um celular, um aumento notável em relação a 44% do ano passado. A pandemia e a migração para o ensino remoto contribuíram significativamente para esse crescimento. Os smartphones se tornaram o principal meio de acesso às aulas, especialmente entre os alunos de escolas públicas. Apesar das tentativas dos pais de estabelecer limites, muitos relatam que seus filhos passam tempo demais em seus dispositivos.

A pesquisa entrevistou 1.962 pais que têm smartphone e são responsáveis por pelo menos uma criança nessa faixa etária. Os resultados revelam que a maioria das crianças com celular próprio possui o aparelho a partir dos sete anos. No grupo dos sete aos nove anos, 59% dos pequenos já têm dispositivos, enquanto entre dez e 12 anos, esse número salta para 79%. Comparando com o ano anterior, esses índices cresceram, indicando uma tendência de aumento no acesso dos jovens à tecnologia.

Adicionalmente, o estudo destaca que 71% dos smartphones pertencentes a crianças possuem chip de operadora, permitindo acesso à internet móvel e a chamadas. Em termos de uso, as crianças menores de três anos estão mais afastadas do universo digital, com 44% não possuindo e nem utilizando celulares. Este número cai para 15% na faixa de quatro a seis anos.

Estudo é o principal motivo para ter celular

Dentre os pais cujos filhos possuem smartphones, 58% disseram que a educação é o principal motivo para ter um celular. O entretenimento (57%) e a comunicação com os pais (54%) também se destacam. Para aqueles que apenas emprestam seus dispositivos, 41% citam que o motivo principal é o uso para estudos. Outros importantes fatores são o desenvolvimento de habilidades tecnológicas e o entretenimento, mencionados por 41% e 57% dos pais, respectivamente. Tal informação é crucial num momento em que as ferramentas digitais se tornam vitais no processo de aprendizado.

O exame das plataformas utilizadas para acompanhar aulas online revela disparidades. Entre estudantes de escolas públicas, 78% utilizam smartphones, enquanto entre os alunos de instituições privadas, esse número é de apenas 57%. Entretanto, a situação se reverte com o uso de computadores e laptops. Aqui, 74% dos alunos de escolas privadas fazem uso dos equipamentos, comparado a apenas 42% nas públicas.

  • Computador/Laptop: 74% (particular) vs. 42% (pública)
  • Tablet: 23% (particular) vs. 19% (pública)
  • Smartphone: 57% (particular) vs. 78% (pública)
  • Televisão: 8% (particular) vs. 13% (pública)

A desigualdade no acesso a dispositivos adequados foi observada em pesquisas anteriores, como a TIC Domicílios de 2020, que mostrou que 71% das crianças de 10 a 15 anos com acesso à Internet utilizam apenas seus celulares. Este índice é ainda mais alarmante entre famílias nas classes D e E, onde 90% dependem do smartphone para acesso à rede. As escolas públicas também enfrentaram desafios significativos na adaptação ao ensino remoto, ressaltando a carência de tecnologia em comparação às instituições privadas.

Pais tentam impor limites, mas nem sempre conseguem

A pesquisa também abordou a questão do tempo que as crianças passam usando suas telas. As crianças com menos de três anos têm um tempo de uso médio de uma hora por dia. À medida que as idades aumentam, esse tempo se estende—entre dez e 12 anos, a maioria das crianças passa pelo menos três horas diárias no celular, com 37% delas utilizando seus aparelhos por quatro horas ou mais.

Enquanto 65% dos pais tentam impor limites ao uso dos smartphones, 59% admitiram que seus filhos passam muito tempo em seus dispositivos. Os dados indicam que a pandemia piorou essa situação, com metade dos responsáveis afirmando que aumentou significativamente o tempo em que os filhos interagem com as telas. Ao questionar sobre ferramentas de controle parental, apenas 26% dos pais afirmaram utilizar alguma forma de monitoramento do conteúdo acessado.

Os aplicativos mais populares entre as crianças incluem o YouTube, com 72% dos pais cientes do uso por parte de seus filhos. O YouTube Kids, curiosamente, é utilizado por apenas 42%. O WhatsApp (52%), TikTok (45%) e Netflix (43%) também estão entre os aplicativos mais mencionados. Essa realidade provoca uma reflexão sobre a adequação do conteúdo consumido por crianças e a responsabilidade dos pais em gerir esse acesso.

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