À medida que as Eleições de 2022 se aproximam, o Google anunciou uma série de medidas inovadoras para garantir a transparência e a autenticidade das campanhas políticas veiculadas em sua plataforma. Uma das principais mudanças é a exigência de que todos os anunciantes, incluindo aqueles que promovem conteúdo político, vinculem suas campanhas a um CPF ou CNPJ. Essa medida visa aumentar a responsabilidade dos anunciantes e reduzir a disseminação de fake news, um problema crítico durante períodos eleitorais.
Além disso, o Google está desenvolvendo um mapa de transparência que permitirá monitorar a publicidade direcionada a fins eleitorais. Esse mapa fornecerá informações detalhadas, como faixa etária, sexo e localização geográfica, permitindo que os usuários entendam melhor o impacto e a natureza da publicidade política que consomem.
A preocupação com a desinformação nas eleições é um tema constante nas discussões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2020, ambos os órgãos tomaram medidas rigorosas contra fake news, que resultaram em investigações sobre desinformação que, segundo apurações, favoreciam determinados candidatos.
Google vai exigir CNPJ e CPF para anunciantes
A partir de 17 de novembro, todos os anunciantes que utilizam o Google Ads para promover conteúdo político terão que passar por um rigoroso processo de verificação, que requer a apresentação de um CPF ou CNPJ associado à conta que impulsiona o conteúdo. Este novo procedimento, embora já tenha sido gradualmente implementado, se tornará mandatário e parte integrante do processo publicitário da plataforma.
Os anunciantes que mencionarem partidos políticos, cargos públicos federais ou candidatos à Presidência, Vice-Presidência, Senado ou Câmara dos Deputados, precisarão submeter seu conteúdo a uma verificação interna, que conta com métodos automatizados complementados por uma revisão manual. Essa mudança foi destacada por Natalia Kuchar, especialista em plataformas de anúncios do Google, que enfatizou que, apesar dos métodos já adotados, a nova fase introduzirá uma averiguação humana adicional.
Outra inovação planejada para o primeiro semestre de 2022 é uma plataforma de transparência específica para as campanhas políticas. Esta plataforma mostrará detalhes sobre os gastos dos anunciantes, incluindo dados demográficos e geográficos referentes à veiculação de cada campanha. É importante notar que partidos políticos terão acesso restrito a três variáveis: faixa etária, sexo e recorte geográfico, ao contrário dos anunciantes normais que podem explorar uma gama mais ampla de segmentações.
Conforme as normas atuais, o Google estabeleceu que partidos não poderão usar bases de dados pessoais para o impulsionamento de seus anúncios. Isso significa que aqueles que coletaram informações como CPFs de eleitores não podem utilizar essas informações para criar propagandas direcionadas. Tal medida busca proteger a privacidade dos cidadãos e coibir práticas invasivas durante o período eleitoral.
O Google também promete que o Relatório de Transparência de Publicidade Política será atualizado regularmente, permitindo que qualquer pessoa baixe tabelas em formato CSV com dados sobre anunciantes e montantes gastos em suas campanhas. Isso segue a linha de outros países, como os EUA, onde tais relatórios já são amplamente disponibilizados, mostrando os gastos políticos por estado e distrito.
Outro ponto a ser destacado é que o Google está investindo na capacitação de equipes de desenvolvedores do TSE e de ONGs que trabalham com “aplicativos cívicos”. Este treinamento terá como objetivo enriquecer esses aplicativos com recursos que ajudem a esclarecer o processo eleitoral, contribuindo para uma cidadania mais informada e engajada. Esses aplicativos serão destacados na Google Play Store em uma coleção destinada às Eleições de 2022, promovendo um ambiente de acesso fácil a informações relevantes.
Essas iniciativas do Google mostram um compromisso evidente com a integridade do processo eleitoral, refletindo uma preocupação maior com a veracidade das informações que circulam nas redes sociais e plataformas digitais durante períodos críticos como as eleições. Com a colaboração do TSE, espera-se que a desinformação seja combatida de maneira mais eficaz, promovendo um debate mais saudável e informado entre os cidadãos.
Com informações: Google Brasil

