O projeto de lei (PL) do deputado estadual Campos Machado (Avante), de São Paulo, que propõe banir o Pix do estado, está mais perto de ser votado na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo). A casa aprovou na tarde de terça-feira (30) a tramitação urgente para o PL, o que implica que ele pode ser analisado ainda nesta quarta-feira (1º), junto a outras propostas da casa, e seguir para o plenário.
O Projeto de Lei 583/21, de Campos Machado, proíbe todas as instituições financeiras do Estado de São Paulo de oferecerem o Pix aos usuários. Pelo menos, até que o Banco Central (BC) demonstre em um laudo técnico quais são os mecanismos de segurança criados para prevenir transações fraudulentas ou feitas por criminosos mediante roubo ou sequestro.
Ontem, a Alesp aprovou que o projeto seja analisado como “proposição de urgência”. Isso significa que a proposta que suspende o Pix pode ser uma das primeiras a ser votada nesta quarta-feira, assim que o parlamento estadual abrir a sessão ordinária, às 16h30.
A Alesp aprovou o trâmite rápido após o deputado Campos Machado enviar um requerimento para que o PL ganhasse caráter de urgência na semana passada.
Pix virou “tentação do bandido”, diz autor do projeto de lei
O deputado justifica a proposta de banir o Pix dizendo que criminosos adaptaram sua atividade em torno da ferramenta de pagamento instantâneo, “utilizando-se de sequestro-relâmpago, violência, ameaça até morte, para o seu intento, elevando drasticamente os índices de crimes desse tipo”.
O parlamentar também destaca que houve aumento de crimes relacionados ao Pix em São Paulo, “razão pela qual, em nome da segurança e da integridade física dos cidadãos, é que propomos o presente projeto de lei, suspendendo o mecanismo do Pix, que é a ‘tentação do bandido’, no momento”.
A proposta quer suspender a resolução do BC aprovada em agosto de 2020, que autoriza instituições financeiras a receberem e transferirem dinheiro usando o Pix. Assim que o órgão apresentasse um relatório técnico sobre os mecanismos de segurança da opção de pagamento, a lei estadual seria revogada.
O Banco Central tem se mobilizado para evitar crimes envolvendo o Pix. Em agosto, o órgão instituiu um limite noturno de R$ 1.000 para qualquer transferência que usa a ferramenta entre 20h e 6h. Além disso, o BC criou portarias que obrigam bancos e instituições de pagamento a monitorarem contas com atividade suspeita. Essas contas devem ser incluídas em um relatório sobre segurança.
Apesar do alarde sobre crimes envolvendo a opção de pagamento, no qual se baseia o projeto de Campos Machado, o diretor de fiscalização do Pix, Paulo Souza, comentou na época que para cada 100 mil transações por meio da ferramenta, apenas 0,5% tinham alguma relação com fraude ou eram consequência de um ato violento, como sequestro ou roubo.
Os Impactos do Banimento do Pix em São Paulo
O banimento do Pix em São Paulo geraria reações diversas entre a população e instituições financeiras. Muitos usuários que adotaram o sistema pela sua agilidade e facilidade de uso se sentiriam prejudicados, uma vez que o Pix se tornou uma ferramenta popular para transferência de dinheiro. O rápido crescimento do sistema se deu pela sua conveniência, permitindo que pessoas realizassem transações com apenas alguns cliques.
Além disso, o banimento poderia gerar um efeito cascata em outros estados, levando outros legisladores a reconsiderar suas políticas relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos. O receio do aumento de crimes pode ser um fenômeno percebido em diferentes regiões do Brasil, fazendo com que outras casas legislativas sigam o exemplo paulista.
- Impacto Econômico: A proibição do sistema poderia gerar uma queda na movimentação financeira dentro do estado, o que, por sua vez, poderia afetar o comércio local.
- Inovação no Mercado: A medida pode desestimular a inovação em soluções de pagamento, prejudicando empresas que estão investindo em tecnologia para facilitar e aumentar a segurança das transações financeiras.
- Custo de Implementação: Bancos e instituições financeiras teriam que arcar com custos de adaptação a novos meios de pagamento, caso o Pix fosse efetivamente banido.
Em resposta a preocupações sobre o aumento da criminalidade associado ao Pix, especialistas em segurança digital enfatizam a importância de educar os usuários sobre como usar o sistema de forma segura. Melhorar a conscientização sobre fraudes e implementar medidas de segurança mais robustas pode ser uma abordagem mais eficaz do que simplesmente proibir o uso do sistema.
Há quem defenda que o foco deve ser na implementação de melhores práticas de segurança, ao invés de um banimento completo do sistema. Por exemplo, implementar limites de valores, monitoramento em tempo real de transações suspeitas, ou mesmo permitir que usuários exijam autenticações adicionais para transações acima de determinado valor. Essas medidas poderiam aumentar a segurança sem penalizar o uso legítimo do Pix.
Propostas para Mitigar os Crimes Relacionados ao Pix
Diante da crescente preocupação com os crimes associados ao Pix, diversas propostas vêm sendo discutidas em diferentes fóruns. Entre elas, destacam-se:
- Educação Financeira: Implementar programas de educação financeira que ensinem os usuários sobre o sistema e os riscos envolvidos.
- Melhorias na Segurança: O Banco Central poderia trabalhar em melhorias na infraestrutura de segurança do sistema, criando ferramentas de monitoramento mais eficazes.
- Campanhas de Conscientização: Realizar campanhas amplas para informar a população sobre como evitar fraudes e o uso seguro do sistema.
- Colaboração com as Forças de Segurança: Criar uma parceria entre instituições financeiras e as forças de segurança pública para que informações sobre fraudes e crimes sejam compartilhadas em tempo real.
Essas propostas buscam não apenas reduzir a incidência de crimes, mas também preservar os benefícios que um sistema de pagamento como o Pix oferece aos consumidores e ao mercado.
No Brasil, a implementação de tecnologias de pagamentos modernos tornou-se essencial em um cenário crescente de digitalização financeira. O desafio é encontrar um equilíbrio que mantenha a segurança e, ao mesmo tempo, proteja a inovação e a eficiência do sistema financeiro do país.
Pix e o Futuro dos Pagamentos no Brasil
Enquanto as discussões sobre o banimento do Pix em São Paulo avançam, é crucial considerar o futuro dos pagamentos no Brasil. O sistema de pagamentos instantâneos introduziu uma nova era de conveniência e eficiência, que poderia ser prejudicada se soluções mais eficazes não forem implementadas.
Além disso, analisar os dados de uso do Pix e entender o comportamento dos usuários pode ajudar a revelar insights sobre como os criminosos operam, permitindo que medidas específicas sejam tomadas. A transparência e a colaboração entre entidades financeiras e o governo serão fundamentais para endereçar as preocupações sobre segurança sem comprometer a progressiva adoção de inovações financeiras.
A expectativa é que, independentemente da decisão da Alesp, a discussão em torno do Pix leve a um debate mais profundo sobre segurança no ambiente digital e as melhores práticas para proteger os usuários de fraudes e crimes financeiros.
Perguntas Frequentes sobre o Projeto de Lei que Proíbe o Pix
- 1. O que é o Pix? O Pix é um sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central, que permite transferências de dinheiro entre contas em questão de segundos.
- 2. Qual o objetivo do Projeto de Lei 583/21? O objetivo do projeto é proibir o uso do Pix em São Paulo até que mecanismos de segurança sejam fortalecidos.
- 3. O que motivou a proposta do deputado Campos Machado? O deputado justifica a proposta pelo aumento de crimes violentos associados ao uso do Pix.
- 4. Como o Banco Central está lidando com os crimes relacionados ao Pix? O Banco Central criou limites para transferências noturnas e exige que instituições financeiras monitorem atividades suspeitas.
- 5. O que poderia ocorrer se o banimento for aprovado? A proibição poderia afetar a movimentação financeira, gerar impactos econômicos e desestimular inovações em pagamentos.
- 6. Existem alternativas ao banimento do Pix? Sim, algumas sugestões incluem melhorias na segurança, educação financeira e campanhas de conscientização sobre fraudes.
- 7. O que a população pensa sobre o banimento do Pix? As opiniões são diversas; alguns apoiam pelas preocupações de segurança, enquanto outros se sentem prejudicados pela perda da conveniência.
- 8. Como a discussão sobre o Pix pode influenciar outros estados? O que acontece em São Paulo pode servir de exemplo e gerar discussões similares em outras assembleias legislativas do país.
A Importância de um Debate Aprofundado sobre Segurança e Inovação
Ao abordar questões de segurança em torno de sistemas de pagamento como o Pix, é essencial garantir que a discussão não se limite a banimentos e proibições. Encontrar soluções conjuntas que garantam a segurança dos cidadãos enquanto promovem inovação é fundamental para o desenvolvimento econômico e social no Brasil. O futuro das transações digitais depende de um equilíbrio crucial entre segurança e eficiência, e o que se decidir agora poderá moldar o cenário financeiro do país por décadas.

