O cenário das telecomunicações no Brasil está em constante transformação, especialmente com as movimentações da Oi e suas estratégias em fibra óptica. Recentemente, a Oi não apenas vendeu seu braço de telefonia para as gigantes Claro, TIM e Vivo, mas também desfez-se de parte da V.tal, sua unidade responsável pela infraestrutura de fibra óptica. Essa venda para o fundo do banco BTG Pactual, que pagou R$ 12,9 bilhões por 57,9% da V.tal, marca um passo significativo no mercado de telecomunicações brasileiro.
Com a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o negócio ocorreu sem restrições, indicando uma liberdade de ação que pode favorecer a concorrência no setor. A equipe do Cade concluiu que a aquisição da V.tal não traz riscos para a competição, ao contrário, potencializa a desverticalização do setor. A infraestrutura de rede neutra da V.tal permitirá que operadoras e provedores aluguem a rede, criando um ambiente mais competitivo.
A aquisição também inclui a Globenet, uma empresa de cabos ópticos submarinos que já pertencia ao BTG Pactual. Essa fatia do mercado amplia substancialmente a capacidade operacional do fundo, fazendo com que ele se destaque ainda mais no setor de telecomunicações.
V.tal tem mais de 400 mil km de fibra óptica
A nova configuração da V.tal como operadora de fibra óptica representa um ativo valioso no mercado. A empresa agora é responsável por toda a rede de fibra óptica da Oi, englobando uma infraestrutura que atende tanto clientes residenciais (FTTH) quanto uma vasta rede de mais de 400 mil km de cabos, conectando mais de 2 mil municípios brasileiros.
A Oi continuará sendo um cliente-âncora da V.tal, uma vez que prestará serviços para consumidores finais e empresas. A diferença é que, com a rede acessível para outras operadoras, a possibilidade de criação de novas ofertas de serviços se torna mais viável. Esse modelo de negócios possui grande potencial, permitindo que empresas utilizem a capacidade ociosa da rede da V.tal, viabilizando a criação de prestadoras de banda larga sem a necessidade de investimentos em sua própria infraestrutura.
No planejamento estratégico da V.tal, a meta é alcançá-la um alcance de 32 milhões de domicílios em 2.300 cidades pelo padrão FTTH. Se bem-sucedida, essa rede superará a da Vivo, que atualmente atende 17,3 milhões de lares, evidenciando a intensidade da competição no segmento de fibra óptica.
Vivo e TIM investem em empresas de fibra óptica
Com a Oi realizando significativas movimentações no setor, outras operadoras também buscam fortalecer suas presenças na área de redes de fibra ótica:
- A Vivo, em uma parceria com um fundo canadense, deu origem à FiBrasil, uma rede neutra que deverá abranger 5,5 milhões de lares em um prazo de quatro anos. A concentração da cobertura será em cidades médias, fora do estado de São Paulo.
- Já a TIM firmou um acordo de R$ 2,6 bilhões para adquirir 51% da IHS Brasil, viabilizando um novo veículo de fibra óptica. Este projeto integra a estrutura atual da TIM Live com tecnologia FTTH e xDSL, com previsão de expansão para 8,9 milhões de domicílios até 2024.
Na verdade, a corrida pela expansão da infraestrutura de fibra óptica reflete não apenas uma movimentação comercial, mas uma verdadeira guerra pela supremacia em um mercado que está se digitalizando constantemente. As operadoras estão se posicionando estrategicamente para atender a crescente demanda por conectividade de qualidade, garantindo acesso à internet de alta velocidade para a maioria da população.
A V.tal, no papel de operadora neutra, se torna um novo player que pode alterar o atual equilíbrio de forças no mercado. Com infraestrutura já estabelecida, e um potencial enorme de crescimento, a aínda-mais-flexível operação pode levar tanto o mercado de telecomunicações para novos patamares de competitividade quanto beneficiar os consumidores finais, que devem ver aumento na qualidade e na variedade de serviços disponíveis.
O Futuro das Telecomunicações com Redes Neutras
As redes neutras têm se revelado um modelo eficaz para impulsionar a concorrência em diversos setores, especialmente na telecomunicação. Esse modelo permite que empresas menores ou novos entrantes no mercado acessem a infraestrutura necessária, reduzindo os custos iniciais que normalmente seriam muito altos para a construção de redes próprias. Isso pode eventualmente levar a tarifas mais acessíveis e a uma maior diversidade de serviços e pacotes oferecidos aos consumidores.
Além disso, a evolução dessa paisagem competitiva é acompanhada de perto por órgãos reguladores, que têm a responsabilidade de garantir que não haja práticas anticompetitivas e que a transformação do mercado beneficie a sociedade como um todo.
A comunicação entre essas diferentes operadoras deve ser cuidadosamente gerida para evitar conflitos de interesse, especialmente considerando que algumas delas já possuem suas próprias infraestruturas e operam em uma esfera de competição direta entre si.
A expansão das redes de fibra óptica também vem acompanhada de novas exigências tecnológicas e legais, o que pode ser um desafio para as operadoras que precisam se adaptar rapidamente às novas demandas do mercado. À medida que mais consumidores são incluídos no mundo digital, a pressão para a melhoria da infraestrutura e para a ampliação da cobertura só tende a aumentar.
Perspectivas E Futuras Movimentações
O caminho a seguir para as operadoras de telecomunicações deve ser trilhado com inovação e uma abordagem centrada no cliente. Recentemente, a transformação digital nas empresas foi acelerada pela pandemia, e muitos negócios que não estavam preparados para a digitalização enfrentaram dificuldades. Portanto, o acesso à internet de alta velocidade se tornou um requisito essencial, e quem não conseguir atender a essa demanda sairá em desvantagem.
Com iniciativas de empresas como a V.tal, Vivo e TIM, o futuro do setor parece ser promissor. É crucial que todas as partes interessadas, incluindo fornecedores de tecnologia, operadoras, e reguladores trabalhem em conjunto para criar um ecossistema que favoreça a competição saudável e impulsione a inovação constante. Assim, não apenas o mercado em si, mas toda a sociedade poderá se beneficiar de uma infraestrutura de telecomunicações robusta e acessível.

