Marte, o planeta vermelho, sempre fascinou a humanidade com sua aparência singular e mistérios não resolvidos. Recentes estudos científicos sugerem que, em tempos remotos, Marte não era o deserto hostil que conhecemos hoje. Há bilhões de anos, os vestígios de rios e lagos podem indicar que o planeta tinha um ambiente muito mais amigável. Naquele período, a atmosfera de Marte era mais densa, permitindo a existência de água em estado líquido na superfície, algo que é quase impossível hoje.
Estudos indicam que há aproximadamente 3,5 bilhões de anos, Marte sofreu uma drástica alteração climática. O que era antes uma atmosfera rica em dióxido de carbono se tornou fina e incapaz de reter a água, levando ao secamento total dos rios e lagos. Esse fenômeno transformou o ambiente marciano em um local inóspito, como o que observamos atualmente.
Uma nova pesquisa realizada por geólogos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) trouxe à tona a possibilidade de que o CO2 da atmosfera marciana, antes abundante, esteja “prendido” na argila que compõe a crosta do planeta. A pesquisa, publicada no periódico Science Advances, apresenta uma abordagem inovadora, utilizando processos geológicos conhecidos na Terra para entender a composição marciana. Os cientistas acreditam que a água poderia ter sido essencial para a conversão do CO2 atmosférico em metano, um hidrocarboneto que poderia ser armazenado no solo do planeta.
As descobertas indicam que a superfície de Marte poderia conter até 80% do CO2 que existia em sua atmosfera inicial. A pesquisa começou em 2023, quando os pesquisadores estavam analisando um mineral chamado esmectita, que se forma através da interação da água com a rocha. Este mineral é conhecido por sua capacidade de armazenar carbono por longos períodos na Terra.
A partir desse ponto, o geólogo Oliver Jagoutz do MIT observou um mapa da superfície marciana e notou que uma parte significativa dela é coberta pela esmectita. Usando seu conhecimento sobre o armazenamento de carbono na Terra, ele, juntamente com seu aluno Joshua Murray, aplicou as mesmas teorias para Marte. Jagoutz afirma que os processos geológicos que ocorrem no nosso planeta provavelmente também aconteceram em Marte, deixando um legado que pode ser de extrema relevância para futuras explorações espaciais.
Como o mineral se formou em Marte?
Diferentemente da Terra, Marte possui uma atividade tectônica muito limitada, o que levanta questionamentos sobre como a esmectita se formou em sua superfície. Os geólogos envolvidos na pesquisa exploraram outras possibilidades que poderiam ter contribuído para a formação desse mineral.
De acordo com medições passadas, uma parte da crosta de Marte é composta por rochas ultramáficas. Os rios que existiram em Marte no passado poderiam ter interagido com essas rochas, levando à formação de argila. Jagoutz e Murray criaram um modelo que prevê essas reações, fundamentados no entendimento atual das rochas ultramáficas na Terra.
O que se sabe é que, ao longo de cerca de um bilhão de anos, a água presente na crosta marciana pode ter se combinado com o mineral olivina, que é rico em ferro. As moléculas de oxigênio na água se ligariam ao ferro, resultando em ferro oxidado, o que contribuiu para a coloração avermelhada do planeta. Paralelamente, esse processo liberaria hidrogênio.
Esse hidrogênio livre, por sua vez, reagiria com o dióxido de carbono, gerando metano. Ao longo do tempo, a olivina se transforma em serpentina, outro mineral férreo que, ao ser combinado com a água, origina esmectita. Dado que Marte possui uma cobertura de esmectita que se estende até 1.100 metros de profundidade, a quantidade gerada ao longo do tempo poderia ser suficiente para armazenar a maior parte do CO2 da atmosfera antiga do planeta.
Através de análises detalhadas e a comparação com o que acontece em nosso próprio planeta, os cientistas esperam não apenas entender melhor a história geológica de Marte mas também explorar suas implicações para futuras missões de exploração espacial. Marías podemos questionar: será que há uma chance de que Marte possa um dia se tornar habitável novamente?
A caminho de Marte: A incrível jornada de um cientista brasileiro até a NASA
A pesquisa em Marte, incluindo o trabalho que envolve a esmectita, não é apenas uma história de descobertas científicas, mas também de carreiras e sonhos. Brasil, e a presença de seus cientistas em agências como a NASA, demonstram o potencial global e as trocas de conhecimento no campo da astrobiologia e geologia planetária. Cientistas brasileiros estão cada vez mais se destacando nas pesquisas internacionais relacionadas ao planeta vermelho, contribuindo com suas experiências e inovações.
Essas jornadas não são apenas sobre ciência, mas sobre a esperança de um futuro em que possamos não só entender Marte, mas também talvez um dia viver lá. O que mais poderíamos descobrir sobre nosso vizinho próximo e como isso poderia influenciar nossa própria Terra? Estamos apenas começando a arranhar a superfície do que realmente existe em Marte.

