Fundamentos da Masculinidade: Relações e Influências Determinantes

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O Prêmio Nobel foi criado em 1901 para premiar pesquisadores por grandes descobertas em cinco categorias: literatura, paz, física, química e fisiologia ou medicina. A premiação aconteceu em quase todos os anos desde então, salvo interrupções durante as guerras mundiais.

Hoje, o Prêmio ocupa um lugar icônico na ciência e na divulgação de ciência: é a cerimônia mais importante para a área, equivalente ao Oscar para o mundo do cinema. Esse atestado de dedicação, relevância e criatividade valida décadas de pesquisa e trabalho duro de até três pessoas por categoria.

Além do prêmio de aproximadamente R$ 6,44 milhões — essa é a cifra de 2024, mas o valor variou ao longo da história —, pesquisas mostram que as equipes dos vencedores de Nobeis ganham mais investimentos, visibilidade e oportunidades depois da premiação.

Um artigo do periódico científico Nature analisou toda a história do Nobel para entender o que é necessário para se tornar um ganhador. Realizada antes das premiações de 2024, a pesquisa estudou o perfil de 646 vencedores dos 346 prêmios de ciência (ou seja: paz e literatura ficaram de fora).

Anote aí: sua melhor chance de ganhar o prêmio é ser um homem de meia idade norte-americano ou europeu. Em toda a história do prêmio, apenas dez vencedores nasceram em países de baixa ou média renda, na classificação do Banco Mundial. E a maioria deles já havia se mudado para a Europa ou a América do Norte na época do prêmio.

Os vencedores tinham, em média, 58 anos quando receberam as láureas. Mas, em geral, os prêmios se referem a descobertas feitas entre 15 e 30 anos antes. Ou seja: se você tiver entre 28 e 43 anos, pode ser que ainda dê tempo de fazer alguma descoberta merecedora do Nobel.

Só não se esqueça de achar um emprego no Velho Mundo antes. E tem mais uma coisa importantíssima para multiplicar suas chances: você precisa arranjar um emprego com uma certa turma.

Muitos ganhadores do Nobel foram orientados por outros ganhadores ou por colegas deles, e eles treinam e orientam pesquisadores que mais tarde também ganharão o Prêmio. Essa teia de relações é chamada previsivelmente de “família acadêmica”.

Não são várias panelinhas. É uma grande panela: uma pesquisa analisou os 727 vencedores das categorias de física, química, medicina e economia e mostrou que 696 deles pertencem a uma única família acadêmica.

Talvez a empreitada já não pareça muito promissora, mas independentemente da qualidade da sua pesquisa, ela compensa menos ainda se você for uma mulher. Em toda a história, apenas 3% dos prêmios das categorias de ciência foram para mulheres.

Parte disso é um reflexo dos vieses antigos, de dinâmicas sociais que não permitiam que mulheres estudassem, por exemplo. Mas é verdade também que, embora o Nobel se coloque em uma posição de premiar as melhores descobertas do mundo, ele parece enxergar só um pequenino mundo.

Pegue o exemplo da China. A potência mundial abriga sete das dez maiores instituições acadêmicas do mundo por volume de produção, de acordo com o Nature Index, que mede as contribuições para revistas de ciências naturais e da saúde. Entretanto, até hoje, apenas dez cientistas chineses foram premiados com Nobeis de ciências.

Em 2019, a Academia Real das Ciências da Suécia, responsável pelo Prêmio, indicou que implantaria medidas para que mais mulheres e pessoas de outras origens fossem indicadas.

Mas é um processo complexo: ao que parece, o que foi feito foi diversificar um pouco as instituições que são chamadas para indicar candidatos ao prêmio e incluir, nas instruções da indicação, um pequeno texto sugerindo que se levasse em conta a diversidade de gênero e origem dos cientistas.

“Temos que encontrar um equilíbrio aqui. Alfred Nobel declarou explicitamente que não deveríamos considerar a nacionalidade ao conceder o prêmio. Ele escreveu em seu testamento que o indivíduo mais digno receberia o prêmio, independentemente de ser escandinavo ou não.”

“Portanto, nunca introduziremos cotas para nações, etnias ou, por falar nisso, gênero.” disse o biomédico sueco Göran Hansson, secretário-geral da Academia em entrevista ao portal da revista Nature em 2019. “É importante que a pessoa receba o prêmio Nobel por ser a mais digna. E nunca deve haver dúvidas quanto a isso.”

O nome dos indicados fica em sigilo por cinquenta anos, então é difícil saber medir se houve mudança na diversidade das indicações. O fato é que, apesar de alguma flutuação nos últimos anos, na maioria esmagadora dos casos, os Nobeis ainda terminam nas mãos de homens brancos norte-americanos e europeus.

É verdade que os números têm melhorado — no século 20 inteiro, foram 11 mulheres premiadas nas categorias de ciência, e só nos 24 anos do século 21 já tivemos 17. Mas a lista não cresceu esse ano: em 2024, todos os prêmios dessas categorias foram para homens – cinco norte-americanos, um inglês e um canadense.

Até para os mais geniais dos pesquisadores, pode ser que a melhor alternativa para receber um Nobel seja nascer de novo.

O que é o Prêmio Nobel e suas categorias

O Prêmio Nobel é entregue anualmente em reconhecimento a contribuições que trazem benefícios à humanidade. As categorias incluem a análise e promoção do entendimento humano, ciência e literatura. Cada categoria é uma homenagem a Alfred Nobel, cujo legado continua a inspirar gerações.

Na ciência, as premiações reconhecem inovações que transformam a compreensão de conceitos e aplicações. O Nobel da Paz exalta esforços para promover a harmonia mundial. Já o prêmio de Literatura valoriza obras que aprimoram a experiência humana através da palavra escrita.

Essas premiações são concedidas a indivíduos ou grupos, incentivando mais pesquisas e colaborações significativas entre os cientistas e pensadores.

A importância dos Nobeis na ciência e pesquisa

Os Prêmios Nobel têm um papel crucial em moldar o cenário da pesquisa. Além do prestígio, os laureados tendem a atrair mais financiamento e parcerias. Isso se justifica pelo reconhecimento das suas contribuições ao conhecimento humano e pela validação pública de suas avançadas pesquisas.

Estudos sugerem que o prêmio pode aumentar significativamente a capacidade de pesquisa das instituições associadas. Organizações que apoiam vencedores frequentemente veem um aumento em doações e colaborações interdisciplinares, permitindo avanços em várias áreas do conhecimento. Isso cria um ciclo virtuoso em que a pesquisa torna-se cada vez mais valiosa e reconhecida.

Desafios enfrentados por mulheres e minorias na premiação

A participação da mulher e de grupos minoritários nas categorias Nobel resulta bastante alarmante. Apesar do progresso, as desigualdades persistem. Em um ambiente em que as contribuições são frequentemente ignoradas, torna-se necessária uma mudança de paradigma para garantir representatividade e diversidade.

Além disso, as gerações passadas de cientistas enfrentaram barreiras que dificultaram seu acesso a oportunidades. A falta de suporte e de espaços adequados para pesquisa foi um fator que impactou indiretamente nas indicações para o Nobel.

Algumas instituições e iniciativas têm se esforçado para criar um ambiente mais inclusivo, impulsionando as chances de cientistas de diferentes perfis serem reconhecidos por suas valiosas contribuições.

Perspectivas futuras para o Prêmio Nobel

O futuro do Prêmio Nobel parece promissor, com uma crescente necessidade de diversidade na ciência. À medida que mais pessoas se envolvem em pesquisa, mais vozes e histórias podem ser ouvidas. Iniciativas para amplificar a inclusão prometem diversificar a lista de laureados nos próximos anos.

Embora ainda haja um longo caminho pela frente, os esforços para incluir diferentes perspectivas podem gerar um impacto profundo na forma como a ciência é percebida e recompensada. Isso poderia, potencialmente, aumentar o número de Nobeis entregues a pesquisadores que verdadeiramente representam a diversidade da humanidade.

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